Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020

Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
Sorocaba 

buscar

<< COTIDIANO Tradicionalista ou Progressista? PALAVRA DO ARCEBISPO - Dom Julio Endi Akamine, SAC

Publicada em 17/09/2020 às 20:14
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Nós sempre justificamos nossas escolhas. Nada mais razoável. Se optamos por algo, essa decisão sempre vem acompanhada de justificativas: por que você prefere comprar isso em vez daquilo? Por que você escolhe tal curso ou profissão?

Sempre devemos justificar para nós mesmos e para os outros as razões de nossas escolhas. As razões dão o senso de nossa vontade. Não fazemos as coisas somente porque ‘tivemos vontade’.

Nisso não há problema algum. O problema surge quando fazemos escolhas erradas. Também nesse caso, encontramos as nossas justificativas ‘racionais’ que nos fazem continuar no erro. Quando pecamos, nós não somente cometemos o ato pecaminoso, mas temos a tendência de permanecer no pecado ao justiçar para nós mesmos e para os outros o que não é justificável, nem defensável. O pecado acaba criando em nós uma cegueira espiritual que nos impede de reconhecer o erro em que caímos; causa em nós um endurecimento do coração que se deixa escravizar ao pecado; provoca em nós um ‘amor’ e um apego ao nosso pecado. Entre os jovens, tem se tornado popular uma expressão que descreve esse apego: ‘pecado de estimação’. O pecado gera uma perversão da razão e da vontade: a razão encontra razões que não são razões e a vontade se volta para o que a escraviza.

Jesus, em uma ocasião, exprimiu a sua decepção com os seus contemporâneos que preferiram permanecer fechados aos diversos chamados de Deus. Quando uma pessoa ou uma sociedade prefere rejeitar Deus, sempre encontra desculpas para justiçar a sua atitude. Jesus denuncia a perversão de sua geração com uma parábola (cf. Lc 7,31-35).

Num grupo de crianças que brinca, algumas cantam e outras dançam; depois outras entoam um lamento fúnebre e as outras fazem de conta que choram. Mas essa brincadeira só é possível se as crianças estiverem dispostas a participar da brincadeira. A geração perversa é comparada a crianças birrentas que não querem participar e não colaboram na brincadeira. Assim aconteceu com os contemporâneos de Jesus. Veio João Batista com um estilo exigente de conversão e as pessoas reagiram, dizendo que estava louco e, assim, se eximiram da necessidade de conversão. Depois veio Jesus, que mostrou a alegria e felicidade do Reino. Mas também ele foi rejeitado, acusado de glutão e beberrão.

Ao se comportarem dessa maneira, os contemporâneos de Jesus mostraram que rejeitaram todos os caminhos que Deus lhes havia oferecido. Eles rejeitaram a austeridade de João Batista como exagerada e se escandalizaram com a alegria do Reino como algo pouco sério.

Vamos ter a mesma atitude impenitente dessas pessoas? O Evangelho nos chama a seguir o caminho de João Batista: o de uma vida de conversão, de austeridade, de séria busca de Deus. Chama também para seguir o caminho da graça apresentado por Jesus, ou seja, tomar consciência de que Deus está próximo e de que Ele nos ama, nos perdoa e nos convida ao banquete das núpcias.

Os caminhos de João Batista e de Jesus continuam atuais: João XXIII e Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Não é o caso de escolher entre um ou outro; pior, de pôr um contra o outro. “Quando um declara ‘Eu sou de Paulo’ e outro ‘Eu sou de Apolo’ não estais agindo apenas de modo humano? O que, então, é Apolo? O que é Paulo? Não passam de servos. Eu plantei, Apolo regou, mas Deus fazia crescer” (1Cor 3,4-6). – Dom Julio Endi Akamine, SAC, é arcebispo metropolitano de Sorocaba e escreve às sextas-feiras no DIÁRIO

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar