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Publicada em 11/02/2020 às 12:09
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A Comissão Especial criada pela Câmara Municipal para analisar as denúncias de moradores sobre o aumento elevado nas contas de água do Saae, após a troca de hidrômetros, concluiu os trabalhos na segunda-feira (10). O relatório final foi apresentado pelo presidente da comissão, vereador Fausto Peres (Podemos), e aponta que o equipamento enviado para análise do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem) foi desaprovado, por apresentar uma peça não regulamentada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

De acordo com Fausto Peres, em ação acompanhada por técnicos da autarquia e da comissão, o equipamento analisado foi retirado da casa de um dos munícipes que reclamaram do aumento na conta de água após a troca do hidrômetro pelo Saae. “O relatório de análise do Ipem afirma que a medição do fluxo de água está correta, porém o equipamento possui uma válvula de supressão instalada em desconformidade com o Inmetro e por isso desaprovou o uso da peça”, explica o presidente da comissão.

O vereador afirma que pediu explicações ao Saae sobre a utilização da peça, porém a autarquia não respondeu dentro do prazo de cinco dias disponibilizado pela comissão. Por esse motivo, o relatório final pede ao Saae a suspensão da troca de novos hidrômetros, questiona a quantidade de equipamentos do mesmo modelo que foram instalados no município e também qual o motivo de utilizar a peça não regulamentada pelo Inmetro.

Segundo Fausto Peres, os moradores que se sentirem lesados por conta da situação devem procurar o Saae para sanar o problema. O vereador também informa que uma cópia do relatório final será entregue ao Ministério Público. Além de Fausto, integram a comissão os vereadores João Donizeti Silvestre (PSDB), Anselmo Neto (PSDB) e Silvano Júnior (PV).

 

Prefeita determina apuração pela Controladoria Geral do Município

Diante da divergência apresentada por laudos expedidos pelo Ipem, depois de ensaios em hidrômetros enviados ao órgão pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e pela comissão especial da Câmara Municipal que cuida do assunto, a prefeita Jaqueline Coutinho determinou que a Corregedoria Geral do Município apure o caso.

“Embora os laudos sejam conclusivos e unânimes no que diz respeito à aprovação da metrologia dos aparelhos analisados, ou seja, tanto os hidrômetros enviados pelo Saae como os pela Câmara apresentaram funcionamento normal, com medição do volume de água sem prejuízo algum para os munícipes, existe porém uma divergência em suas conclusões, que consideraram aprovados os cinco aparelhos enviados pela autarquia de Sorocaba, e reprovaram o hidrômetro enviado pela Câmara devido à presença de uma válvula anti retorno. Desta forma, para não pairar dúvidas, estou encaminhando o caso à Corregedoria Geral do Município para as devidas apurações e posterior parecer. Vamos também pedir que o Ipem realize novos ensaios nos aparelhos medidores utilizados em Sorocaba, bem como se explique sobre os motivos dos seus laudos apresentarem conclusões diferentes para o mesmo modelo de hidrômetro”, detalha a prefeita.

O diretor-geral do Saae, engenheiro Mauri Gião Pongitor, por sua vez, completa explicando que a válvula anti retorno é apenas um acessório que a autarquia solicitou que o fabricante acrescentasse aos hidrômetros, mas que acabou gerando a reprovação do Ipem num segundo laudo apresentado à Câmara.

“Essa válvula anti retorno nada mais é do que um dispositivo que impede as inúmeras fraudes que constatamos nos hidrômetros instalados na cidade, com o objetivo de burlar a leitura e a medição do volume de água consumido mensalmente, fato que acarreta prejuízos consideráveis à receita do Saae, comprometendo a nossa capacidade de investimento do município em sua infraestrutura de saneamento, prejudicando portanto a própria população”, explica Mauri.

O diretor-geral da autarquia lembra que numa das fraudes mais comuns constatadas diariamente, o hidrômetro é invertido de posição no cavalete, fazendo que o consumo de água seja negativo. “Com essa válvula, a água é impedida de passar pelo hidrômetro, assim como também é impossível introduzir objetos no aparelho medidor, que interferem no seu funcionamento e até mesmo provocam o seu travamento, em mais uma constatação de fraude”, destaca Mauri, lembrando ainda que tanto os laudos que aprovaram os cinco hidrômetros enviados pelo Saae, como o laudo encaminhado pela Câmara, são assinados pelos mesmos dois engenheiros do Ipem.

 

 

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