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publicado em: 23/10/2013 às 21h18:
CPI da Saúde visita Centro de Regulação e Policlínica
 
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Os vereadores visitaram a Central de Regulação onde foram recebidos pela coordenadora do órgão, Lígia Gomes Zanella (Foto: Fernando Rezende)
 
 
A Central de Regulação de Vagas e a Policlínica Municipal foram escolhidas pela CPI da Saúde para ser visitadas numa blitz surpresa realizada na manhã de ontem. Por volta das 10 horas, os vereadores Izídio de Brito (PT), presidente da comissão, acompanhado de José Crespo (DEM), chegaram à Central, que funciona no prédio do antigo Seminário, no Centro. Recebidos pela coordenadora do órgão, Lígia Gomes Zanella, os vereadores conheceram as salas de trabalho e tiraram dúvidas quanto ao funcionamento. A Central tem como papel receber os casos da rede municipal de saúde, separá-los em baixa, média e alta complexidade e, assim, encaminhar à cirurgia, consultas ou exames, de acordo com uma lista de espera. Médicos trabalham no local para filtrar os processos, mas ontem o profissional responsável pela regulação de consultas e exames não estava no recinto. Questionada pelo vereador Crespo se estava satisfeita com o trabalho do médico, Lígia respondeu dizendo apenas que pediu outro médico para atuar em conjunto, e que o ausente chegaria por volta de meio-dia. “Não existe bom profissional ausente”, disse o vereador. 

Para testar a implantação do sistema de regulação, o qual a coordenadora acredita que dentro de um ano esteja finalizado, Izídio de Brito levou um caso de uma munícipe de 32 anos que aguarda uma cirurgia para retirada de útero e ovário. A mulher foi atendida na UBS da Vila Angélica, encaminhada à Policlínica e ainda não recebeu a data do procedimento. “Não queremos interferir no procedimento, há muitos outros, mas serve para sabermos se o sistema está funcionando”, disse. Na Policlínica, o vereador foi informado de que a guia da paciente fora encaminhada à Central, que teve dificuldades em encontrar a ficha. Após contato telefônico com a paciente, Lígia soube que, além do procedimento indicado, a mulher aguarda também uma cirurgia de vesícula. Porém ela e a funcionária disseram não ter recebido a guia de encaminhamento. Por outro lado, a coordenadora da Central ressaltou que muitos assessores do Legislativo ligam ao órgão informando sobre casos específicos. “Futuramente, as ligações serão gravadas e há médicos para regular os casos, priorizando os mais graves.” 

POLICLÍNICA – Em seguida, os vereadores se dirigiram à Policlínica Municipal, onde foram recebidos pelo médico e diretor-clínico, José Jarbas Pismel, e diretora Cristina Andrea Rosa Lima. Os responsáveis pelo local explicaram que antes os pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) eram encaminhados à Policlínica, que, por sua vez, marcava os procedimentos. Agora o caso é registrado numa guia, entregue cópia original ao paciente, que deve voltar à UBS, onde os funcionários preenchem uma planilha e encaminham à Central de Regulação. “A preocupação é quanto à transição do sistema”, diz Brito. Também foi abordado a contratualização de hospitais para procedimento da rede municipal, que, segundo Jarbas, devem ser firmados até o final do ano.

CONCLUSÃO - Para o presidente da CPI, as visitas foram satisfatórias. “Descobrimos que nada está andando, não tem transação bem feita, não tem responsável por isso e os casos estão retornando às UBSs, que não sabem o que fazer. A Central ainda está em formatação, faltam funcionários e estrutura, portanto as cirurgias não estão sendo feitas.”  

Quanto ao caso da mulher que aguarda por cirurgias, a diretora da Policlínica forneceu uma cópia do email enviado à Central de Regulação. Ainda são membros da CPI da Saúde os vereadores Marinho Marte (PPS), Rodrigo Manga (PP), Neusa Maldonado (PSDB), Fernando Dini (PMDB), Cláudio do Sorocaba I (PR), Irineu Toledo (PRB), Jessé Loures (PV), Waldecir Morelly (PRP), Pastor Apolo (PSB) e Luís Santos (PROS), e o relator, Waldomiro de Freitas (PSD). 


Secretário terá de explicar mudanças no atendimento de UPHs

Com a confirmação da Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Saúde (SES), de que a partir de novembro a Unidade Pré Hospitalar (UPH) da zona norte deixará de atender a casos de pediatria, e a unidade da zona oeste não irá receber emergências de adultos, o secretário da pasta, Armando Martinho Bardou Raggio, será convocado para dar explicações à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde. A informação foi dada pelo presidente da Comissão, vereador Izídio de Brito (PT), durante blitz surpresa realizada na manhã de ontem na Central de Regulação de Vagas e na Policlínica da cidade. “Precisamos analisar o caso, mas a princípio acredito que o atendimento de crianças tem de ser descentralizado, nos quatro cantos da cidade e mais próximo à população.” O vereador afirma que acredita ser uma informação lançada para medir a reação da população, mas que, mesmo assim, Raggio terá de explicar a decisão. “Ele (secretário) precisa explicar o que a pediatria vai fazer na zona oeste ou se pretende montar um centro de especialidade; não está claro isso. Mas se for da forma que está fazendo, está errado, porque em todas as regiões da cidade há crianças que precisam de atendimento.”

DECISÃO - Compartilha da mesma opinião, o vereador José Crespo (DEM), integrante da CPI. Ele conta que recebeu com surpresa a notícia de mudanças nas duas UPHs e ainda não está acreditando que seja uma decisão da Prefeitura. “Muitas vezes, os políticos não têm segurança de uma atitude e soltam um ‘balão de ensaio’. Tanto acredito que essa questão seja isso, porque a Prefeitura soltou sem assumir que é uma decisão tomada.” Crespo diz que, dependendo da reação popular, a Prefeitura pode afirmar publicamente que não pretendia executar o projeto. Quanto aos motivos que o levam a pensar dessa forma, o vereador cita que não houve comunicado à Câmara Municipal, justificando que seria apenas uma questão política, já que não é necessário ter essa atitude. “Poderíamos até apoiar se fossem dados argumentos”, diz. Ele fala ainda que esteve com membros do Conselho Municipal de Saúde na última terça-feira (22), que afirmaram também não ter sido informados sobre o projeto.

SAÚDE – Crespo explica que há anos, quando existia somente o Pronto-Socorro Municipal que funciona na Santa Casa, a ideia do município foi descentralizar o atendimento, por isso, foram criadas as UPHs das zonas norte, oeste e leste, respectivamente. Com o projeto de centralizar o setor de pediatria na zona oeste, a decisão iria contra o que foi argumentado no passado. “Mesmo em caso de sinergia, com poucos médicos pediatras, tenho dúvidas quanto ao resultado, que pode ser igual ao que já temos ou pior. Nenhum médico é obrigado a trabalhar em posto, mas já que se propôs a isso tem de cumprir. É importante fiscalizar, premiar o bom e punir o mau”. 

Em nota enviada ao DIÁRIO, a Secretaria de Saúde informa que o objetivo é “sanar o déficit de pediatras na rede”, que atualmente são 31 profissionais divididos entre as unidades da zona norte e oeste. Com a centralização, todos irão trabalhar no mesmo local, e a pasta afirma que não descarta a possibilidade de contratar mais médicos e até de abrir um novo concurso público. “Nunca imaginei que numa cidade grande como Sorocaba, com Faculdade de Medicina, iria faltar médicos. Falo em tom de brincadeira, mas tem um fundo de verdade; se for necessário, teremos de chamar médicos cubanos”, afirma Crespo. Em recente entrevista concedida na Rádio Cacique Estadão, o próprio prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB) afirmou que a cidade realizou o cadastro junto ao governo federal para o programa "Mais Médicos", do Ministério da Saúde, mas até o momento não obteve resposta. 

O vereador ressalta ainda a atuação dos enfermeiros e técnicos de enfermagem, dizendo que no dia a dia são eles que fazem os procedimentos nos pacientes, pois há médicos que nem “colocam a mão” no atendido. “Esses profissionais têm conhecimento, mas não podem se responsabilizar. Se não há profissionais, os médicos faltam, não tem médicos cubanos, a única solução com o apoio legal de Brasília seria abrir a profissão médica.” Crespo completa dizendo que a centralização dos atendimentos pediátricos na zona oeste é um assunto que ainda vai render, mas não pode ocorrer de um paciente esperar até dois anos por uma consulta.   
 
 
 

 
 
 
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