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publicado em: 22/01/2011 às 17h29:
Acusados em esquema criminoso na prefeitura começam a ser julgados
 
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Ivanilde Vieira passou dois dias na cadeia; ela confirmou fatos investigados na operação, deflagrada no dia 27 de setembro de 2008; na sede do GAS, passou horas e horas prestando depoimento e contando tudo o que sabia (Foto: Pedro Henrique Negrão)
 
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A terça-feira da semana passada, 18 de janeiro, foi um marco na história de Sorocaba, depois que a empresária Ivanilde Vieira e os ex-secretários municipais, José Ferrari e Maurício Biazotto, foram convocados a depor sobre um esquema de corrupção que os envolve, juntamente com mais pessoas acusadas.

Contudo foi adiada para o dia 9 de fevereiro a audiência de instrução e julgamento que faz parte da Operação Pandora, deflagrada em setembro de 2009, que escancarou o escândalo no poder público municipal de Sorocaba, onde secretários estão envolvidos em esquemas de corrupção com postos de combustíveis. O motivo alegado para o adiamento de terça para 9 do mês que vem foi a ausência de dois réus.

Serão ouvidas primeiramente as testemunhas de acusação e, na sequência, as de defesa. Os interrogatórios serão feitos somente na fase final e, depois, as partes terão o direito de se manifestar por escrito, e não oralmente, pela complexidade do caso. As testemunhas de defesa só serão ouvidas na segunda etapa do julgamento, que deve acontecer entre março e abril deste ano.

As 14 testemunhas de acusação arroladas pela promotoria que moram em Sorocaba começariam a ser ouvidas na terça-feira (18) pela Justiça. Outra está com a audiência agendada para 31 de janeiro em São Paulo. Para evitar problemas futuros, todas as testemunhas e todos os réus saíram intimados do Fórum. 

O juiz da 1ª Vara Criminal, Jayme Walmer de Freitas, deveria ouvir as testemunhas de acusação do caso e os policiais envolvidos na investigação, que culminou com a prisão dos então secretários de Habitação, Urbanismo e Meio Ambiente (extinta Sehaum), José Dias Batista Ferrari; de Governo e Planejamento (SGP), Maurício Biazotto Corte; e da ex-presidente do Sincopetro, Ivanilde Vieira Serebrenic. Também são acusados Valéria Cavaller, ex-secretária particular de Ivanilde e atual mulher de Biazotto, e Jefferson Tadeu Polazan Aily, engenheiro então ligado à Secretaria de Habitação.

Ivanilde Vieira é acusada de ter procurado Biazotto para pedir o auxílio da SGP na questão de um embargo às obras do hipermercado Extra, no Parque Campolim. Os crimes que o Grupo Antissequestro – GAS de Sorocaba e Ministério Público apontaram durante a investigação da Operação Pandora foram praticados em 2008. Os crimes envolvem formação de quadrilha, corrupção passiva e tráfico de influência.

Na terça-feira, logo após sair do fórum, a empresária, que no auge da polêmica e prisão, não quis dar entrevistas, dessa vez falou com a imprensa. E foi para acusar a polícia. Ivanilde alega que foi ameaçada e coagida pela Polícia Civil de Sorocaba, inclusive com tentativas de "plantar" drogas em seu veículo. O Ministério Público (MP) lamentou a postura da ex-presidente do Sincopetro.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que fez as acusações contra Ivanilde na Justiça, lembrou que todas as vezes em que a ré foi ouvida pelos policiais foi na presença de seus advogados e também dos promotores que atuam no caso.

Prefeitura é vasculhada pela polícia

No dia 29 de setembro, a Prefeitura de Sorocaba foi vasculhada por policiais civis do Grupo Antissequestro – GAS, que estiveram em salas do Paço em busca de documentos e materiais relacionados à investigação da Operação Pandora. Comandados pelo delegado titular do GAS, Wilson Negrão, e o promotor Roberto de Campos Andrade, do Gaeco, as autoridades chegaram com viaturas da Polícia Civil e percorreram os corredores do prédio.

Várias salas foram visitadas, e a sala da Secretaria de Habitação e Urbanismo foi o principal alvo. Convém destacar que a pasta era antigamente dirigida por José Dias Batista Ferrari, um dos apontados nas investigações que buscam esclarecer o esquema criminoso feito na Prefeitura. O objetivo da ação policial foi encontrar provas que apontavam o envolvimento de funcionários públicos com o esquema, chefiado pela empresária Ivanilde Vieira.

No Paço, funcionários foram vistos saindo pelos fundos com documentos na hora da chegada da polícia, mas a assessoria negou qualquer ilícito, informando que se travava de apenas despachos comuns da Prefeitura.


No dia 13 de outubro, dois secretários passam a noite na cadeia

Maurício Biazotto Corte, sua companheira, Valéria Cavaller, José Dias Batista Ferrari, e o engenheiro Jefferson Tadeu Aily, foram todos presos na manhã de 12 de outubro por policiais civis do GAS. Tudo começou com a prisão da empresária Ivanilde Vieira, que com o benefício da delação premiada, “entregou” todos os envolvidos no esquema. Ela apontou como participantes Biazotto e Ferrari. Este convocou coletiva de imprensa para negar terminantemente todas as acusações. Já Biazotto pediu afastamento imediato do cargo e acabou sendo exonerado.

Por volta das 8h30, os policiais do GAS cumpriram mandados de prisão temporária - de cinco dias - contra os quatro envolvidos. Biazotto foi detido em sua residência, no condomínio Ibiti do Paço, junto com Valéria, Ferrari estava em seu escritório na rua Mascarenhas Camelo, e o engenheiro Jefferson, funcionário de carreira na Prefeitura, estava trabalhando no Paço quando foi detido. Ele era responsável pela aprovação de obras.

Nenhum dos acusados tentou resistir à prisão. A primeira a deixar a delegacia foi Valéria. Ela colaborou com a polícia, fornecendo muitos dados para a investigação, o que fez os policiais decidirem que sua detenção não era mais necessária. Assim, ela não foi recolhida à cadeia pública de Votorantim.

O prefeito Vitor Lippi convocou entrevista coletiva e alegou surpresa e perplexidade com o fato de pessoas de sua confiança ser apontadas pela polícia como criminosos. “Não vejo motivo para reformas no quadro político por conta disso. É lamentável tudo o que está acontecendo. Não conversei pessoalmente com o delegado responsável pelo caso, por isso não posso dizer o que mais esperar dessa ação policial. Estou perplexo”, disse na época.

O prefeito estava em uma festa de aniversário do vice-prefeito, José Ailton Ribeiro, quando foi avisado pelo secretário de Administração, Rodrigo Moreno, a respeito da prisão dos envolvidos. De cirurgia marcada para o mesmo dia, ele cancelou todos os compromissos e em reunião, que durou o dia todo, Lippi decidiu afastar José Dias Batista Ferrari.


Empresária revela nomes dos envolvidos

Depois de passar duas noites na cadeia pública feminina de Votorantim, Ivanilde Vieira recebeu o benefício da delação premiada. O esquema criminoso envolvia funcionários de postos de combustíveis, agentes do Sincopetro de Sorocaba e São Paulo, e até secretários municipais.

Ivanilde Vieira foi cercada por policiais civis quando tomava café com um fiscal da Cetesb na praça de alimentação do Shopping Villa-Lobos, em São Paulo, capital, no dia 28 de setembro. Ela foi informada sobre o mandado de prisão quando era levada para fora do shopping. O carro de Ivanilde, estacionado no lugar, foi revistado, e os policiais decidiram fazer a busca no apartamento dela na capital. 

Vender informações sobre fiscalizações da Agência Nacional de Petróleo e cobrar propina para proteger postos denunciados por fraude de combustível, são as principais acusações que caem sobre a mulher.
 
 
 
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