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Diário de Sorocaba





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<< Obra de Cavalheiro resgata lugares de memória do centro de Sorocaba

Publicada em 29/01/2019 às 10:56
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(Foto: Divulgação)
O escritor, historiador e poeta sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro, também professor de História na rede pública estadual em Porto Feliz, prepara o lançamento, durante o mês de fevereiro, de mais dois livros de sua autoria, concluídos recentemente: “Ergástulo” e “’Tá vendo aquele edifício, moço?”. O lançamento ocorrerá durante a Feira do Beco do Inferno, a ser realizada no domingo, dia 10.
“Tá vendo aquele edifício, moço? - Lugares de memória, produção da invisibilidade e processos educativos na cidade de Sorocaba” é resultado de pesquisa de dissertação de mestrado em Educação, cursado por Cavalheiro no Câmpus Sorocaba da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), de 2015 a 2017. O livro já tinha recebido uma edição pela Novas Edições Acadêmicas em 2018. Esta nova versão, porém, teve agora um tratamento editorial que procurou popularizar o texto, aliviando-o do aspecto de produção acadêmica. “Muita gente sente um distanciamento do texto pelo excesso de normas que o rigor acadêmico exige, mas que para o público geral é irrelevante ou, o que é pior, serve apenas para afastá-lo. Desse modo, com uma formatação mais leve, o texto tende a atrair um público maior”, defende o autor.
O livro traz uma reflexão sobre os lugares de memória da região central de Sorocaba, investigando o modo como esses locais se constituem e como se produzem também os lugares amnésicos, ou seja, aquelas memórias que vão sendo esquecidas, como explica Cavalheiro, acrescentando que a pesquisa também traz diferentes usos da memória enquanto ferramenta pedagógica, tanto em Sorocaba, quanto em Porto Feliz, cidade em que trabalha como professor de História. “A análise da cidade e do uso dos espaços urbanos não passa despercebida nessa pesquisa que aprofunda questões relacionadas à ‘Cidade Educadora’, ao direito à cidade e à valorização do patrimônio histórico e cultural, bem como as intervenções urbanas realizadas por artistas”.
Para analisar os lugares de memória, Cavalheiro propôs uma categorização: lugares de memória oculta, lugares de memória invisível e lugares de memória visível e decifrável. Os de memória oculta, entende o autor, são aqueles que por diversos motivos existem enquanto marcos (monumentos, placas comemorativas, esculturas, prédios, etc.), mas são obstaculizados pela imposição de faixas, placas de trânsito ou falta de indicações. Já os de memória invisível são os lugares em que não existem marcos aparentes, porém há registros (em livros, jornais, filmes, memória viva das pessoas, fotografias) que ainda sustentam essa memória. “Um exemplo é a antiga igreja de Santo Antônio, ao lado do Mercado Municipal, demolida na década de 1950 sem deixar nenhum resquício nos arredores”. 
Os lugares de memória visível e decifrável são os monumentos aparentes, como a estátua do fundador de Sorocaba, Baltazar Fernandes. Cavalheiro defende que por ser visível há nesse lugar um texto, “uma mensagem que interessa a alguém e que, portanto, deve ser decifrada”.
 
REUNIÃO DE POEMAS – Por outro lado, “Ergástulo”, segundo Cavalheiro informa ao DIÁRIO, é uma reunião de poemas escritos desde a década de 90 até os dias atuais. Além de título de uma das poesias do livro, a palavra ‘ergástulo’, como explica, remete à prisão, aqui em sentido metafórico, que o poeta utiliza para demonstrar sua insatisfação diante de questões várias. De acordo com o poeta e ativista cultural Valdecy Alves, autor do prefácio do livro, “em cada verso, muitas vezes versos de uma só palavra, um rio, um fluxo do tempo, vai-se à poesia viva de Carlos Carvalho Cavalheiro, anunciando a tudo e a todos, leito abaixo, que mais na frente se encontra o mar. Sim, anuncia a cada avançar centimétrico: - o mar existe além!”.
Cavalheiro escreve poesias desde o final da década de 80, tendo colaborado em diversos jornais, inclusive o DIÁRIO, e realizado exposições. “Ergástulo” é seu primeiro livro de poemas, mesmo já tendo publicado mais de 20 títulos com assuntos e temas diversos que passeiam por pesquisas históricas, folclore, teologia e ficção, entre outros.
         
SERVIÇO – Os dois livros foram editados em 2018, mas por atrasos na entrega serão, assim, lançados agora. O livro “Ergástulo” foi publicado pela Editora UNY, de Rio Claro, e tem como ilustração de capa um desenho de Luiz Fernando Gomes; “Tá vendo aquele edifício, moço?” foi editado pela A.R. Publisher, de Maringá (PR). Serão lançados na Feira do Beco do Inferno, na praça Frei Baraúna (Fórum Velho), no dia 10. 
“Ergástulo” será vendido por R$ 25,00 e “Tá vendo aquele edifício, moço?” pelo preço de R$ 30,00.
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