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<< SOROCABA Com imposição de cinzas, arcebispo abre Quaresma e Campanha da Fraternidade Neste ano, CF aborda a superação da violência

Publicada em 14/02/2018 às 17:30
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(Foto: Germano Schonfelder)

Assim como em todo o mundo, a Igreja abriu nesta Quarta-feira de Cinzas (15) a Quaresma – período de 40 dias que antecede a Semana Santa, tempo de penitência, oração e conversão. Na Catedral de Nossa Senhora da Ponte, o arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, SAC, presidiu a missa com imposição de cinzas ao meio-dia, concelebrada por muitos outros sacerdotes do clero local, visto que, na ocasião, também foi oficializada a abertura oficial, a nível regional, da Campanha da Fraternidade (CF) 2018. O tema é “Fraternidade e Superação da Violência”, sintetizado no lema “Em Cristo somos todos irmãos”.

O ambiente, sem flores ornamentando o Altar e tomado pela cor roxa dos paramentos litúrgicos, como pede a Sagrada Liturgia, mostra que algo novo começou na Igreja. Acompanhado pelas práticas de jejum, esmola e penitência, o tempo quaresmal foi evidenciado pelo Arcebispo como um período propício para receber a graça de Deus. “O dia da salvação é hoje. Temos de ver a insistência de Jesus para com as práticas interiores; esmola, jejum e penitência são práticas exteriores”, explicou dom Julio, reforçando que viver a Quaresma é entrar em sintonia com o Deus.

Ainda sobre as práticas recomendadas pela Igreja ao cristão em preparação à Páscoa da Ressurreição, dom Julio ressaltou que a penitência é uma graça que a pessoa não pode deixar passar de forma despercebida. “Fora a penitência, temos de ter a consciência de que o jejum não pode exibir uma religiosidade para os outros, mas tem de nos levar a uma intimidade com o Pai, tem de nos mostrar que temos necessidade de Deus”, destacou o Arcebispo, ressaltando que essa prática está ligada ao lema da CF 2018: “O jejum também nos liga aos irmãos, principalmente aos mais pobres, que passam fome, pois ‘Vós sois todos irmãos’.” Ao citar a necessidade de o cristão prezar pela prática da ajuda aos necessitados, dom Julio disse também que o ser humano precisa da `esmola´, da misericórdia de Deus. “Dar esmola é fazer o bem ao outro, é reconhecer que aquilo que é meu não é completamente meu, mas também dos outros”.

SUPERAR A VIOLÊNCIA – Sobre o tema da CF deste ano, dom Julio resumiu que todo o trabalho da Igreja quer mostrar que a violência é um pecado, um mal inaceitável. “Nenhum ser humano nasce violento. A violência deixou de ser um fenômeno das grandes cidades”, enfatizou o Arcebispo. Citando um texto de Santo Agostinho, escrito há 600 anos, ele ainda condenou a ideia de que atos violentos sejam positivos para superar a violência. “Temos de viver uma fraternidade real e ter a consciência de que é preciso respeitar a dignidade humana e educar para a paz. Por isso, a família tem um papel importante nesse processo”.

Com o início da CF, paróquias e comunidades devem desenvolver trabalhos pastorais sobre o tema proposto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para este ano, focando a realidade do País. De acordo com o presidente da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Carlos Alves Moura, negros e jovens são as maiores vítimas da violência no Brasil; a população negra corresponde à maioria dos 10% dos indivíduos expostos ao homicídio no País. 

ABSTINÊNCIA DE CARNE – Assim como orientado pela Igreja aos fiéis, a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão devem ser dias de jejum e abstinência de carne vermelha. Conforme o Arcebispo, essas práticas levam a uma renúncia voluntária externa que devem refletir em uma atitude interna de conversão. “Fazemos uma renúncia voluntária para renunciarmos ao pecado e, com Deus, alcançarmos a vitória”. 

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