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<< ECONOMIA Com crise acentuada, crescem as vendas de carros seminovos Consumidores estão deixando de buscar veículos OKm, optando por modelos com até três anos de uso

Publicada em 22/07/2016 às 06:34
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(Fernando Rezende)
Com o cenário econômico de crise instalado no País, as vendas de carros seminovos cresceram, pelo menos, 23,6% em um comparativo com o primeiro semestre do ano passado, de acordo com a Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Os dados da pesquisa mostram que os consumidores estão deixando de buscar veículos zero quilômetro, optando por modelos com até três anos de uso, pois se encaixam melhor no orçamento neste momento. “Quem compra o seminovo é o consumidor que compraria o zero, mas está trocando um pelo outro”, ressalta o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos.
 
Ao todo, foram vendidos, entre janeiro e junho, 4,786 milhões de carros usados, incluindo ônibus e caminhão, no País. Este número é 3,8% menor do que o mesmo período de 2015. Do total, apenas 2,266 milhões são modelos com até três anos de uso. Cenário praticamente também o verificado em Sorocaba e municípios da região.
 
O supervisor de vendas Itamar Nogueira confirma esse aumento nas vendas de seminovos em Sorocaba e ressalta que a crise não chegou neste segmento. “A venda de seminovos está boa diante do que o mercado oferece ao consumidor. Carros mesmo com baixa quilometragem automaticamente já têm sua depreciação em relação ao zero”, contou Nogueira, explicitando que diante ao cenário econômico o consumidor sempre busca o melhor preço. “A crise afeta o bolso e automaticamente o consumidor vai procurar o mais barato, que lhe traga conforto, opcionais e as condições mais favoráveis para fazer essa aquisição”, acrescentou, contando que, em relação ao ano passado, as vendas tiveram um aumento de 20%. “Trabalhamos bastante e usamos muitos meios de comunicação, muita mídia, televisão e site, fora os feirões. O que temos de melhor é a avaliação do carro mais velho na troca de seminovo”, completou.
 
O gerente de uma concessionária de seminovos do Centro, João Francisco Ribeiro, confirma que pelo menos sua loja está batendo as metas e as vendas estão boas. “Em relação ao primeiro semestre do ano passado, nós mantemos a nossa meta. A crise atingiu algumas concessionárias, mas a gente não atingiu não, graças a Deus”, asseverou. 
 
Em outra concessionária de seminovos, o gerente Claudir Morais Santos Filho também disse que as vendas estão na média. “Aumentou um pouco mais a procura por causa da crise, mas está na média. Continua no mesmo padrão”, disse, afastando, porém, tendência de queda nos negócios.
 
O MERCADO DE VEÍCULOS ZERO – De outro lado, o mercado de veículos zero quilômetro somou 983.500 unidades na primeira metade deste ano, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), significando que, para cada unidade nova, foram comercializados quase cinco veículos usados. Somente em junho, as vendas de automóveis seminovos cresceram 2,4% em relação a maio, porém foram 2,7% menores que o mesmo intervalo do ano passado. 
 
Apesar de ser um segmento premium, o gerente de vendas Paulo Racca Segamarchi conta que a venda de veículos novos estagnou mesmo diante da crise. “Este ano a gente perdeu um pouco de mercado. Até o primeiro semestre do ano passado, a Audi do Brasil vendeu 7.800 unidades; este ano, foram 6.100, 20% de queda. Aqui na loja, tive a mesma queda de zero quilômetro, mas tive uma venda maior no setor de seminovo”, reconheceu.
 
A expectativa de Segamarchi para o segundo semestre, porém, é otimista. O gerente de vendas espera que o segmento cresça: “Acho que os piores momentos do mercado já passaram. Tenho essa sensação”. “Para minha loja, o que cresceu de seminovo é maior do que eu perdi de venda de veículo novo”, pontuou, contudo.
 
ATENÇÃO NA AQUISIÇÃO DE SEMINOVOS - O diretor comercial de um centro automotivo, Fernando do Nascimento Silva, alerta, porém, ser sempre necessária muita cautela na aquisição de seminovos, principalmente pedindo-se um histórico e garantia do veículo ao proprietário ou à concessionária. “Desta forma, o comprador vai acompanhar a manutenção do carro. Mesmo assim, ainda deve-se conferir a troca de óleo do motor e o estado da correia dentada. Em carros populares, a correia dentada custa cerca de R$ 250, mas em caso da peça estourar por falta de substituição a retificação do motor não sai por menos de R$ 1.500”, destaca.
 
Outra dica importante é conferir a quilometragem do automóvel para entender quais peças estão desgastadas. Uma revisão completa do veículo é ideal para verificar o freio, suspensão e conservação dos pneus. “Estes são itens fundamentais para a segurança do condutor e dos passageiros. Se uma das peças estiver com problema, o risco de perder a direção do carro é grande e consequentemente sofrer-se um acidente”, orienta.
 
Um fator que também influencia na depreciação do valor do automóvel seminovo é a funilaria. “A lataria amassada, riscada ou desbotada reduz em até 20% o valor do carro na tabela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)”, finaliza Silva.
 
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