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Diário de Sorocaba





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<< Coletores de lixo, varredores e motoristas protestam no Paço À tarde, tumulto marcou espera por audiência conciliatória

Publicada em 06/04/2016 às 05:49
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(Fernando Rezende)
Mais de 400 funcionários do Consórcio Sorocaba Ambiental (CSA), entre coletores, varredores e motoristas de caminhões de lixo, protestaram em frente ao Paço Municipal, no Alto da Boa Vista, na manhã desta terça-feira (5). Por volta das 7 horas, os servidores saíram do pátio da empresa, situada na Avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, e seguiram até a sede do Executivo. 
 
Segundo a assessora da diretoria do Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Sorocaba e Região (Sinetur), Izaldite Sampaio da Silva, o objetivo da passeata foi pressionar o prefeito Antônio Carlos Pannunzio e o secretário de Governo, João Leandro da Costa Filho, a atender aos trabalhadores. Sem manifestação por parte da Prefeitura, os trabalhadores seguiram para a Câmara, onde foram referendados pelos vereadores. 
 
Segundo Izaldite, o Sindicato só iria acatar a decisão judicial concedida à Prefeitura, em que garante 80% dos trabalhadores nas ruas, após a assembleia que ocorreu ontem à tarde. 
 
Segundo a sindicalista, o Sinetur e o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, que representam os motoristas, só foram notificados na manhã desta terça-feira (5) sobre a decisão da desembargadora do Trabalho, Gisela Rodrigues Magalhães de Araújo e Moraes. 
 
Ainda segundo ela, o sindicato também iria comparecer à mesa-redonda na regional do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ontem à tarde. A Prefeitura e o CSA também foram convocados. Enquanto os sindicatos pedem reajuste de 12,35% nos salários e mais benefícios, como aumento no vale-refeição, a empresa oferece o índice de 11,08%.
 
Questionada se a decisão da liminar iria flexibilizar a reivindicação dos trabalhadores, Izaldite afirma que o sindicato sempre esteve disposto a negociações. “Espero que o CSA e a Prefeitura compareçam à mesa-redonda no Ministério do Trabalho para que as negociações avancem. A flexibilidade existe por parte do sindicato. Fizemos propostas e ainda temos proposta a fazer”, conta a sindicalista, que considerou intransigente a decisão da Prefeitura de entrar com a liminar na Justiça. “Essa postura da juíza não vai resolver a situação. A negociação precisa continuar.”
 
Fora a mesa-redonda, a desembargadora também agendou para o dia 12, às 13h30, uma audiência de tentativa de conciliação e instrução, com a presença de representantes do município, dos sindicatos da categoria e o CSA.
 
TUMULTO – A Guarda Civil Municipal (GCM) confirmou que, durante a audiência conciliatória, ontem à tarde, um grupo de coletores causou tumulto na Rua 28 de Outubro, em frente à regional de Sorocaba do Ministério do Trabalho e Previdência Social, quando esses funcionários atacaram, com murros, uma viatura da GCM, que tentava forçar uma barreira de grevistas naquela via. 
 
 
Legislativo apoia 
 
Com o plenário da Câmara lotado de trabalhadores do Consórcio Sorocaba Ambiental (CSA), a greve da categoria foi amplamente apoiada pelos vereadores nesta terça-feira (5), que utilizaram a tribuna para prestar solidariedade e cobrar uma saída para o impasse, solicitando a intervenção do Executivo nas negociações. 
 
O vereador Francisco França (PT) apoiou a categoria pela mobilização e afirmou que, apesar de ser um serviço terceirizado, a Prefeitura tem obrigação política e moral de fazer a intermediação na negociação entre sindicatos e empresa. França disse ter-se reunido na tarde de segunda-feira (4) com o secretário de Governo, João Leandro da Costa Filho, que assumiu o compromisso de entrar em contato com a empresa para tentar uma negociação. O vereador criticou, ainda, a liminar concedida prevendo que 80% dos trabalhadores voltem ao serviço, índice que, em sua opinião, infringe o direito de greve previsto constitucionalmente.
 
Em seguida, o vereador Irineu Toledo (PRB) ressaltou que os coletores são mal-remunerados e também criticou a percentagem exigida pela Justiça, que a torna inócua, em sua opinião. Waldecir Morelly (PRP) também defendeu a legitimidade da reivindicação e afirmou que a categoria merece mais que o solicitado.
 
Da mesma forma, Rodrigo Manga (DEM) e Gervino Cláudio Gonçalves (PR) falaram da importância e dificuldade do trabalho prestado pelos coletores e a necessidade de valorização da categoria. “Vocês estão de parabéns! Não se consegue nada sem luta. Um dos maiores contratos do Executivo é da coleta de lixo, mas, quando é para partir o bolo, pagar o que vocês merecem, essas empresas não querem”, afirmou Gonçalves. 
 
Já o vereador Marinho Marte (PPS) solicitou que a Câmara intervenha em favor dos coletores pedindo para a Prefeitura intermediar a negociação em busca de uma contraproposta digna. Por sua vez, o vereador Izídio de Brito (PT) reforçou a necessidade de análise da planilha de gastos da empresa e do contrato firmado que, segundo o vereador, subiu 300% em relação ao anterior. 
 
Os vereadores Pastor Apolo (PSB), Luís Santos (Pros), Wanderley Diogo (PRP), Carlos Leite (PT), José Crespo (DEM), Tonão Silvano (SDD), Anselmo Neto (PSDB) e Fernando Dini (PDDB) também prestaram solidariedade aos funcionários em greve e se colocaram à disposição para ajudar na negociação. 
 
 
Lixo aumenta e
irrita moradores
 
Mesmo com a liminar concedida à Prefeitura, garantindo 80% dos funcionários do Consórcio Ambiental Sorocaba trabalhando, a situação do lixo nas ruas pouco mudou no quinto dia da greve da categoria. O acúmulo de resíduos nos contêineres ainda é grande, causando sujeira e mau cheiro em diversas vias da cidade.  
 
Apesar do trabalho dos funcionários da Secretaria de Serviços Públicos e de reeducandos – presos em regime semiaberto – solicitado após o prefeito Antônio Carlos Pannunzio declarar estado de emergência na cidade, o lixo ainda prevalece em diversos locais em especial nos próximos de comércios, escolas e hospitais. 
 
Na Rua da Penha, no Centro, contêineres estavam lotados e com lixo invadindo a calçada. Expostos ao Sol, o cheiro dos resíduos estava forte e irritava o munícipe que passava pela rua. Funcionários de lojas próximas ao montante afirmam que não houve, desde a deflagração da greve, na sexta-feira (1º), coleta de lixo no local. Em outro ponto, no Centro de Educação Infantil “Anna Rusconi” (CEI 60), na Vila Jardini, o acúmulo de sujeira também chamava atenção ao lado da escola. Situação parecida foi verificada em frente ao Hospital Modelo, no bairro Trujillo.
 
MORADORES – Proprietária de um comércio na Rua Gonçalves Júnior, na Vila Barão, Rose Bueno afirma que tem tentado segurar o lixo que produz. “Tentei segurar, mas não tem condições porque aqui é comércio. É um cheiro que fica dentro.” A proprietária também reclama dos moradores de rua, que mexem nos sacos e deixam em desordem os resíduos. “Quando vou abrir meu comércio, ele está todo espalhado”, conta Rose, que, apesar das queixas quanto à sujeira na rua, defende a paralisação dos trabalhadores. “Tem de ser justo, e eles têm de ser pagos pelo trabalho deles.” 
 
Posição semelhante tem a professora Raquel Ruas de Camargo, que defende o direito de reivindicação dos trabalhadores. “Todo mundo tem direito de reivindicar um salário melhor.” Moradora do bairro Trujillo, a professora afirma que a parte da sujeira do lixo na Rua Araçatuba, onde mora, tinha sido limpa na segunda-feira (4) por funcionários da Secretaria, mas que está difícil segurar o lixo dentro de casa.

 

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