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<< Servidores municipais entram em greve com protesto no Paço Categoria quer reajuste de 19,61% enquanto a Prefeitura oferece 3,5%

Publicada em 24/03/2016 às 06:38
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(Fernando Rezende)
Como prometido desde o dia 17, parte dos servidores municipais iniciou ontem uma greve com manifestação no Paço Municipal. Vestidos de preto, os trabalhadores reivindicaram aumento salarial de 19,61% enquanto a oferta da Prefeitura ficou em 3,5%.
 
O ato começou às 8 horas e terminou ao meio-dia, reunindo três mil servidores, segundo os organizadores. Já a Polícia Militar informa que o protesto contou com 500 pessoas, que se enfileiravam para assinar a folha de ponto da greve. 
 
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba, Salatiel Hergesel, não houve avanço nas negociações com a Prefeitura.
 
Embora o Paço tenha conseguido liminar da Vara da Fazenda Pública, garantindo 50% da manutenção dos serviços essenciais, como saúde, educação, segurança e ações de combate ao Aedes aegypti, Hergesel disse que a greve estava ocorrendo com 60% dos servidores. 
 
A auxiliar de Educação, Abigail Coronetti, esteve no protesto para defender sua categoria, que, segundo ela, tem sido sucateada. “Estamos trabalhando com funcionários sem condição nenhuma, em situação precária e com falta de trabalhadores.” 
 
Ela ressalta, ainda, que os prédios de escolas e creches estão deteriorados, até mesmo os que foram recentemente construídos, e destaca que o salário recebido por determinadas categorias não condiz com as informações passadas pelo Município. 
 
“O prefeito não tem olhado para nossa categoria e vem mentindo na mídia, falando que professor ganha R$ 5 mil. Ele nem sequer cita o Auxiliar de Educação, que ganha em torno de R$ 1,6 mil para menos com os descontos que tem.”
 
Segundo Abigail, embora não seja o ideal, a proposta de fazer o reajuste inflacionário seria uma boa hora de mostrar respeito ao servidor. “Se o prefeito fosse só um pouquinho decente, daria o reajuste e nós estaríamos até sossegados. Isso não é justo.” 
 
Também presente na manifestação, o presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Sorocaba e Região, Milton Sanches, reclama da precariedade da Saúde na cidade. “Onde a Prefeitura está administrando está a mesma situação, como o Hospital Psiquiátrico e a Santa Casa, que possivelmente serão os próximos a parar”, prevê. 
 
Sanches também critica a liminar da Prefeitura, que, para ele, tenta boicotar a greve. “Isso é bem próprio da Prefeitura. Na greve da Santa Casa, enquanto estávamos sentados na mesa tentando negociar numa boa, eles estavam com um advogado no tribunal tentando prejudicar os trabalhadores”, fala. 
 
PREFEITURA – Em coletiva no início da tarde em seu gabinete, o prefeito Antônio Carlos Pannunzio confirmou que o índice de funcionários públicos trabalhando estava abaixo do autorizado pela liminar da Vara da Fazenda e que isso era ruim para todos.
 
O prefeito afirmou que o principal esforço da Prefeitura estava sendo para normalizar o índice para cumprir com decisão judicial. “O sindicato mistificou que não tinha recebido a intimação e disse que a educação não é essencial.” 
 
Pannunzio ressalta que a decisão, além da obrigatoriedade de 50% de funcionários nos serviços essenciais, também proibia piquetes impedindo a livre circulação no prédio da Prefeitura e de servidores que queriam trabalhar, a chamada “greve branca”. 
 
Ainda segundo a liminar, o sindicato receberia, em caso de descumprimento da ordem judicial, multa de R$ 30 mil por evento. “Digamos que tenha uma creche que fechou, o sindicato paga R$ 30 mil; outra creche, mais R$ 30 mil.”
 
PROPOSTA – Questionado se o poder público tentaria nova negociação com os servidores, o prefeito afirmou que apenas a proposta de reajuste de 19,6% do Sindicato foi colocada em negociação e que a entidade não sugeriu a oferta de reposição inflacionária. 
 
“Estão vivendo em outro país ou achando que eu seria tão irresponsável quanto tem sido a presidente da República”, ironizou antes de reafirmar que a Prefeitura está aberta a negociações, e que o prazo para conceder reajuste encerra-se no dia 2 de abril, quando a Justiça Eleitoral proíbe aumento de funcionários públicos. 
 
PONTO FACULTATIVO – Anunciado de última hora, Pannunzio disse que o ponto facultativo dos funcionários públicos nesta quinta-feira (24) não prejudica nem ajuda a greve. “Quem eventualmente não entrou hoje e eventualmente quiser entrar amanhã vai ser poupado desse trabalho.”
 
O prefeito disse que a decisão deu-se após analisarem que o Legislativo de Sorocaba, assim como o Estadual e Federal, o Judiciário e o Ministério Público também decretaram esta quinta-feira ponto facultativo.
 
ORÇAMENTO – Comentado pelo vereador Hélio Godoy (PRB) na sessão da Câmara no última terça-feira (22) e repetido pelos sindicalista no processo, o prefeito confirmou que o reajuste dos funcionários estava previsto no orçamento da cidade, feito em agosto do ano passado para este ano, mas que acabou não sendo possível devido à crise e que nos último três anos a Prefeitura deu ganho real de cerca de 7,25%. “Com os 3,5% que nós propusermos, nós, então, ficaríamos naquilo em torno da inflação.”
 
 
Segundo prefeito, 25% da categoria aderiram 
 
Setenta e cinco por cento do funcionalismo público municipal não aderiram ao movimento de greve, ficando apenas 25% do funcionalismo em greve. O balanço foi apresentado ontem pelo prefeito Antônio Carlos Pannunzio. 
 
Pannunzio reuniu em seu gabinete nesta quarta-feira (23), por duas vezes, a imprensa para traçar uma análise da greve deflagrada pelos servidores públicos municipais, que não aceitaram a proposta de reajuste do poder público municipal.
 
O prefeito reforçou, ainda, que todos os serviços de plantões serão mantidos para o fim de semana prolongado por causa do feriado da Semana Santa. “É importante ressaltar que estamos abertos para receber os representantes do Sindicato.” 
 
Na oportunidade, o prefeito apresentou o balanço da adesão de todos os órgãos da municipalidade. No Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), algumas equipes pararam até as 9h30, depois os serviços foram normalizados. 
 
Na Urbes, 43% dos agentes aderiram ao movimento, nos terminais de ônibus, houve 30% de adesão dos funcionários. Já entre os servidores da empresa pública que trabalham na Casa do Cidadão, houve 30% de adesão. 
 
Na sede da Urbes e no Centro Operacional, todos os funcionários trabalharam normalmente. A Guarda Civil Municipal também está com funcionamento normal, sem adesão à greve. 
 
Na Secretaria de Serviços Públicos, apenas um trabalhador de um cemitério aderiu ao movimento, as demais equipes trabalharam normalmente. Na Cultura, a Biblioteca Infantil não abriu, devido à adesão dos funcionários. Dos 15 próprios da pasta, 15 funcionários estão parados. 
 
Na Saúde, o Atendimento de Urgência e Emergência e o Samu 192 seguem com atendimento normal. Na Policlínica, apenas três funcionários do administrativo entraram em greve. Nas Unidades Básicas de Saúde, cinco agendas médicas foram canceladas e, com isso, 60 pacientes ficaram prejudicados. As consultas serão remarcadas assim que a greve terminar. 
 
Na Secretaria de Esportes, dos 33 técnicos, houve 11 adesões. Na pasta de Planejamento e Gestão, seis funcionários que atuam em área administrativa na Casa do Cidadão aderiram à greve. A maior adesão ao movimento de greve deu-se na área da Educação, que resultou no fechamento de cinco Centros de Educação Infantil e quatro unidades escolares.
 

 

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