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<< Presidente reafirma legitimidade de mandato e diz lutar contra 'impeachment' Dilma Rousseff também voltou a atacar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha

Publicada em 05/12/2015 às 01:52
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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Em sua primeira participação em evento público após ter sido aberta a análise do pedido de "impeachment", a presidente Dilma Rousseff fez na manhã de ontem (4) um discurso em defesa do seu mandato. Destacou que foi legitimamente eleita e que não vai permitir que haja "golpe". "Eu vou lutar contra esse pedido de 'impeachment' porque nada fiz que justifique esse pedido e, principalmente, porque tenho compromisso com a população deste País que me elegeu."
 
A presidente da República destacou a importância do momento atual para o País. "É um momento em que se torna necessário, obrigatório, reativar princípios, preservar direitos e reforçar a luta pela democracia", disse, durante Conferência Nacional da Saúde, em Brasília. "Para a saúde da democracia, nós temos que defendê-la contra o golpe", disse Dilma, que estava acompanhada dos ministros da Saúde, Marcelo Castro, e da Casa Civil, Jaques Wagner, vaiados quando foram anunciados.
 
A presidente afirmou que levará o seu mandato até 2018. Destacou, ainda, que conhece os custos humanos, sociais e políticos da ditadura. Dilma disse que, desde o início do ano, enfrenta um processo político daqueles que querem o "quanto pior melhor" e ressaltou que seu mandato foi "legitimamente concedido pela maioria dos votos da população deste País".
 
CRISE - Dilma voltou a destacar a crise econômica mundial, disse que o governo teve de tomar medidas para a retomada do crescimento, mas que a resistência política no Congresso, com as chamadas "pautas-bombas", tem atrapalhado esse processo. 
 
"A gente queria sair dessa situação no mais curto prazo possível, mas encontramos nesses caminhos muitas dificuldades, muitas resistências. Muitas vezes nos defrontamos com as chamadas pautas-bombas, que, ao invés de ajudar o País a sair mais rápido da crise, queria afundar o País", afirmou. "Temos compromisso com o Brasil mais justo; vou lutar para fazer este País crescer."
 
CUNHA - A presidente repetiu os argumentos de seu pronunciamento feito na quarta-feira (2) quando o processo foi aberto pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e disse que as razões do pedido de "impeachment" são "inconsistentes e improcedentes". 
 
"Não cometi nenhum ato ilícito. Não tenho conta na Suíça", repetiu Dilma, em uma referência a Cunha, que está sendo investigado, justamente, por contas ilegais nesse país europeu. 
 
APOIO - A presidente chegou a ter o seu discurso interrompido com a plateia pedindo: "Fora, Cunha!" e gritando: "Não vai ter golpe". Apesar de a maior parte dos participantes demonstrar apoio à presidente, algumas pessoas chegaram a gritar: "Fora, Dilma!" e "Fora, PT!" Por conta das divergências, algumas pessoas batiam boca e discutiam na plateia. 
 
No início de seu discurso, ao perceber que a ampla maioria a apoiava, Dilma fez agradecimentos e disse que esse tipo de manifestação fazia bem para sua alma. "Vocês não imaginam como isso que vocês estão fazendo faz bem para a alma da gente."
 
Eliseu Padilha fala ao 
PMDB que deixará governo
 
Um dos principais aliados do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), disse na manhã de ontem (4) a correligionários que vai deixar o governo. 
 
Segundo relatos, o ministro tentou se reunir com Dilma Rousseff na quinta-feira (3), mas não teve êxito. A conversa deve ocorrer na próxima segunda-feira (7). Um posicionamento oficial, por parte dele, pode surgir apenas após a conversa com a presidente.
 
Segundo na linha sucessória da Presidência da República, Temer evitou na quinta-feira (3) participar das principais discussões com integrantes da cúpula do governo, e de se posicionar publicamente sobre a instauração do processo de impedimento à presidente. 
 
Para Levy, importante é acelerar 
debate do pedido de 'impeachment"
 
Em conferência com investidores do Banco Brasil Plural na quinta-feira (3), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ressaltou a importância de que o encaminhamento do "impeachment" seja feito o quanto antes. Para ele, é possível que o Congresso Nacional precise trabalhar em janeiro para dar os encaminhamentos necessários para avançar com o processo.
 
Durante a reunião, Levy reafirmou a meta fiscal de 0,7% do PIB para o ano que vem e disse que a recriação da CPMF deve vir acompanhada de reforma na Previdência Social. Em áudio divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda, Levy disse que ainda que todo país em crise precisa de mais impostos, mas defendeu a CPMF como uma alternativa que atinge a todos e numa base igual.

 

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