Terça-Feira, 22 de Maio de 2018 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< Grupo na internet divulga vagas e insere desempregados no mercado de trabalho

Publicada em 02/08/2013 às 21:22
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Há mais de quatro meses desempregado, o vendedor Rubens Epelman desconfiava da veracidade de vagas de trabalho divulgadas pela internet. Quando sua esposa enviava currículos pela rede, sempre ficava “com um pé atrás”. Através de conhecidos, ele descobriu o grupo “Vagas de Emprego em Sorocaba e Região”, que hoje conta com mais de 27.700 membros no Facebook. Com o objetivo de se estabelecer na indústria ou no comércio, começou a enviar currículos e em menos de um mês Epelman foi chamado para duas entrevistas. “Cheguei a ficar três dias num emprego, mas, infelizmente, a empresa dispensou os que foram contratados. Mesmo assim pretendo continuar a enviar currículos para as vagas que aparecem no grupo”, afirma. 

Já a oficial de cozinha, Claudinéia Ribeiro dos Anjos, que há pouco mais de uma semana trabalha cobrindo férias de outra funcionária no restaurante de uma empresa, está com emprego garantido após esse período. Assim como Epelman, ficou sabendo da vaga no grupo da internet e em uma semana chegou a passar por quatro entrevistas. Na última, conseguiu a sonhada posição no mercado de trabalho, após dois anos sem registro em carteira. “No mesmo dia em que curti a página mandei o currículo. No começo fiquei um pouco desconfiada, mas li mensagens de outras pessoas que conseguiram e arrisquei.”  

GRUPO - Essas são algumas das histórias que todos os dias o comerciante Péricles Régis Mendonça Lima lê no grupo de vagas que criou há cerca de oito meses. Por dia, chega a receber três agradecimentos de pessoas que conseguiram uma entrevista ou emprego. Além do grupo, a página do Facebook onde também divulga as vagas já tem mais de 14.200 membros. Enquanto trabalha na loja que abriu em março com a mãe, Lima não desconecta da internet, sempre averiguando novas vagas de emprego, postando e aceitando membros. Para ele, que já ganhou a vida como gerente comercial, auxiliar de almoxarifado, funcionário público, foi vendedor nas ruas e até fotógrafo, ler agradecimentos e depoimentos de pessoas é a motivação para continuar usando a ferramenta. “Eu recebo as vagas por e-mail e, como muita gente já não abre por medo de conter vírus ou só usa redes sociais, decidi postar e adicionei todos os meus amigos. Eles foram passando e a rede foi aumentando, mas não imaginava que iria repercutir tanto.” Além de receber algumas vagas, ele pesquisa em sites, jornais, encontra em placas pelas ruas e agora algumas agências e empresas já postam diretamente no grupo. 

Bem-humorado, na foto do seu perfil pessoal o comerciante aparece segurando um cartaz “Dilma, minha página no Facebook emprega mais do que você!”. Desde o início também brinca com os membros pedindo que aqueles que conseguirem um emprego através do grupo, mandem uma pizza para ele, que mora sozinho nos fundos da loja. Na semana passada, o pedido virou realidade e até hoje Lima fica emocionado ao contar. “Uma mulher entrou aqui e deixou um folheto de uma pizzaria dizendo que às 18h30 iria chegar, só não era naquela hora porque o local estava fechado. Minha irmã estava junto e ficamos sem entender nada, mas deduzi que era a pizza. Fiquei em choque”, conta. A mulher em questão não conseguiu emprego nem procura uma vaga para si, mas para um sobrinho. Após o episódio, o comerciante fez um desabafo na rede social, contando sua história e o quanto é difícil manter a loja, pois muitas vezes recebe ajuda do pai e da irmã. Somente essa postagem recebeu mais de 680 curtidas e 180 comentários. 

Sensibilizadas com o texto, algumas pessoas se propuseram a ajudá-lo e já doaram televisão, fogão, micro-ondas, cama, colchão, estante, talheres e edredom. “Eu só tinha um colchão no chão”, comenta.    

AJUDAR – A comerciante Ana Maria Mendonça Lima, mãe de Péricles, confessa que no início não prestava atenção no que o filho fazia e ficava incomodada com o tempo que ele passava em frente ao computador. Mas agora, vendo a repercussão e o quanto as pessoas são gratas, mudou de ideia. “Sinto muito orgulho! Isso faz bem para ele.” Pensando em ajudar um número cada vez maior de pessoas, o comerciante pretende abrir uma Organização Não Governamental (ONG) em prol dos desempregados. “Eu vivo para isso aqui, acabo nem olhando o meu perfil pessoal, faço de coração mesmo”, explica. 

Lembra da Claudinéia que já está com emprego garantido? No dia da entrevista com a gerente do restaurante, Flaviane Danziger Camargo, ela comentou que a irmã também estava desempregada e agora as duas estão no mercado de trabalho. “A Claudinéia tem me surpreendido bastante, está dando conta de tudo e o pessoal tem elogiado. Conseguimos uma vaga para a irmã dela em outra empresa e agora sempre que precisar vou postar no grupo”, conta a gerente.  


 

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar