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Diário de Sorocaba





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<< Que planeta queremos?

Publicada em 05/06/2013 às 00:16
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Todos os dias nos levantamos da cama e fazemos as mesmas coisas. São ações do dia-a-dia que passam despercebidas, porque mecanicamente estamos acostumados com elas. Muitas dessas atitudes poderiam ser repensadas se analisássemos que nosso planeta pode morrer. Não será na nossa geração e também, provavelmente, não na dos nossos filhos, mas isso pode ocorrer, porque a natureza tem fim e mostra sinais que não está nada bem.

O homem vem há décadas degradando o meio ambiente. A partir da Revolução Industrial, quando o sistema artesanal foi sendo deixado de lado e as indústrias começaram a utilizar o carvão e outras fontes de energia, o homem passou a agredir o seu ambiente.

Quando falamos sobre meio ambiente normalmente as pessoas pensam no ar, água, solo, mas nos esquecemos de que nós, seres humanos, somos também parte desse ambiente; que, quando poluímos, estamos fazendo mal a nós mesmos. A escassez de água. O ar cheio de fuligem. Rios, lagos, córregos e mares somente com sujeira. Tudo isso faz nossa qualidade de vida despencar.

Nesse sentindo procuramos refúgio. Viajamos para o campo, montanhas, praias. Respiramos fundo e dizemos: que ar limpo. Porém, esquecemos que nós somos o nosso ambiente e não estamos cuidando bem dele. 

Exigimos atitudes do poder público, das indústrias, mas esquecemos de que podemos também contribuir. Seja não jogando aquele papel no chão, reciclando aquela latinha ou mesmo evitando o desperdício de alimento. Precisamos de atitude.

Neste 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, o momento é de conscientização. O que podemos fazer para melhorar o nosso planeta? A resposta está em cada um de nós. Não podemos nos furtar de fazer a nossa parte. Hoje pense nisso. Somente parar e pensar será uma atitude. O planeta Terra precisa de você.
Boa leitura!


Resíduos sólidos são um dos principais problemas do meio ambiente

Reciclar é a melhor maneira de diminuir o impacto gerado pela produção de lixo, principalmente doméstico

Todos os dias a população gera lixo. São embalagens, resto de comida, todo tipo de produto que vai para as lixeiras. Esse lixo tem custo, afinal, os coletores passam e recolhem esses resíduos, que são levados para o aterro sanitário e lá também é preciso tecnologia para os depositar corretamente. Em resumo: todo ser humano é um grande poluidor do meio ambiente.

O consultor ambiental Rogério Iório, 49 anos, presidente do IBDN (Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza), detalha o que são resíduos sólidos. São todos os materiais descartados pelas atividades humanas, podem ser líquidos ou sólidos, e os sólidos podem ser orgânicos e inorgânicos, estes, inclusive, são passíveis de serem reciclados e só depois da reciclagem eles podem ser considerados lixo.

Segundo Iório, o IBDB trabalha em várias frentes sempre focando no desenvolvimento sustentável. “Criamos selos ambientais e, as empresas, para utilizá-los, devem se envolver em nossos projetos que têm como pilar a educação ambiental. Entendemos que educando os empresários e seus funcionários minimizamos os impactos das empresas ao meio ambiente.”

Iório explica que existem selos para vários tipos de atividade. “O selo Empresa Parceira da Natureza envolve a empresa em compromissos ambientais que minimizam seus impactos ao meio ambiente. Já o selo de Neutralização de Carbono promove a recuperação de áreas degradadas através do plantio de árvores nativas. E selo de Sustentabilidade enquadra eventos na legislação ambiental de resíduos sólidos.”
 
Questionado se o lixo brasileiro realmente é muito rico, Iório deixa claro que o lixo do mundo é rico, não somente do Brasil. “A questão é se fizéssemos a coleta seletiva e a reciclagem do lixo, sobraria pouco lixo, pois grande parte do que chamamos lixo são resíduos passíveis de serem reutilizados, gerando emprego e renda a muita gente.”
 
 
LIXO E ENERGIA 

Muitas cidades ainda utilizam os chamados “lixões” para depositar seus resíduos. Outras, como é o caso de Sorocaba, possuem aterros sanitários. A legislação vem querendo acabar com lixões há muitos anos, mas o consultor não considera os aterros soluções definitivas, “pois enterram o problema não dando destino definitivo nem ambientalmente adequado. Hoje existem tecnologias, inclusive no Brasil, que depois do lixo reciclado utilizam os resíduos sólidos orgânicos como energia ou adubo”.

Nas últimas décadas o consumismo aumentou em todo o mundo. Para Iório, estamos consumindo de forma irresponsável nossos recursos naturais, apenas para satisfazer as necessidades criadas pelo capitalismo selvagem e as inovações tecnológicas. “Esta forma de consumo, se não for repensada, pode trazer grandes problemas para a humanidade.” 
 

MARKETING PREDADOR

Muitas vezes compramos um produto e a embalagem custa até mais que ele. As empresas se preocupam mais com as vendas que com o meio ambiente. Para Iório, a questão das embalagens é mais complexa do que imaginamos. “Muitas vezes, o produto está em embalagem sem critério, apenas para promover o marketing. Mas, algumas vezes, está obedecendo a alguma norma de segurança ou mesmo legislação no tocante à armazenagem ou conservação. Para tanto deve ser feito uma analise e uma reengenharia para tudo isso”, opina o consultor. 

O brasileiro produz muito lixo, mas os americanos ainda são os recordistas. Nos Estados Unidos, cada pessoa produz, em média, 2.8 kg de resíduos por dia. No Brasil cada pessoa gera 1.2kg por dia, em média.

Conforme Iório, as políticas públicas existentes ligadas aos resíduos sólidos são eficientes na teoria. “O Brasil tem leis muito boas quanto às questões ambientais, mas, por ser um país continental, fica difícil serem aplicadas com seriedade.”

Iório afirma que existe linha de crédito suficiente no governo federal para incentivar os municípios a dar destino correto aos resíduos sólidos, inclusive por conta da nova política nacional de resíduos sólidos colocada à disposição, que possui linha de crédito de milhões de reais. “O problema é que as prefeituras não estão preparadas para receber os recursos. Não têm documentação nem sabem fazer os projetos para a recepção do dinheiro”, argumenta.

Iório é realista ao dizer que não é mais possível imaginar um mundo que respeite o meio ambiente e conviva de forma sustentável com o planeta; mas alternativas para amenizar essa situação existe, falta colocá-las em prática.


Reutilização da água ameniza danos ao meio ambiente

Inúmeros são os métodos de reutilização da água, principalmente os usados pela indústria


A Terra tem praticamente 75% da sua área de água, mas somente 3% são de água doce, o restante é de mares e oceanos, além de geleiras. Por isso, existe o risco de dentro de algumas décadas faltar água potável. Neste sentido é fundamental diminuir a poluição e também utilizar tecnologia no reaproveitamento da água.

A engenheira de alimentos Adriana dos Santos Sato, 28 anos, atua na área de tratamento de água na empresa ProMinent, que foi fundada em 1960 em Heidelberg, na Alemanha, e desde 1997 está no Brasil e hoje tem filiais em 49 países.

A ProMinent fornece equipamento para o tratamento de água e dosagem de químicos e é dividida em quatro unidades de negócios: Unidade 1 - Bombas dosadoras e sistemas de dosagem; Unidade 2 - Controladores e Sensores; Unidade 3 - Bombas de processo e sistemas de dosagem; e Unidade 4 (ProMaqua) - Sistemas de desinfecção, os quais envolvem sistemas UV, geradores de dióxido de cloro, geradores de ozônio, sistemas geradores de cloro e hipoclorito por eletrólise.

Os serviços da ProMinent ainda incluem fornecimento de equipamento avulso, como bomba, gerador e sensor, até o fornecimento de sistemas mais complexos desenvolvidos pela equipe de engenharia, os quais agregam diversos equipamentos, instrumentos e acessórios. Entre os sistemas estão a osmose reversa com ou sem pré-tratamento; dosagem de químicos; tratamento para desinfecção de piscinas; diluição e dosagem de químicos; e preparadores de polímeros.

Segundo Adriana, as principais indústrias atendidas pela ProMinent são as químicas, de alimentos, de bebidas e setor de óleo e gás, além de oferecer soluções para áreas de saneamento e, até mesmo, para clubes e hotéis para o tratamento de piscinas.
 
 
INDÚSTRIAS DE SOROCABA

Várias empresas de Sorocaba já utilizaram dos serviços da ProMinent, como a Pepsico (Sistema de osmose reversa), Johnson Controls (bombas dosadoras), GE Betz do Brasil, Sanex (gerador de ozônio), Schaeffler entre outras.

De acordo com Adriana, são vários os sistemas de tratamento de água utilizados no mundo. Isso porque a qualidade da água difere bastante ao redor da Terra. “Porém, as tecnologias de tratamento através de membranas são cada vez mais usuais, principalmente nos países onde a fonte de água disponível apresenta salinidade superior à recomendada para processos e para consumo humano”, explica engenheira.

Já no Brasil, detalha Adriana, as fontes de captação são através de água de superfície de baixa salinidade (lagos, rios, represas) e águas subterrâneas (poços artesianos), e os tratamentos mais utilizados, principalmente para água de superfície, são os convencionais de oxidação, coagulação, floculação, sedimentação e filtração e, posteriormente, uma etapa de desinfecção.

“O tratamento de água mais adequado dependerá das características físico-químicas da água a ser tratada e da qualidade final requerida”, explica Adriana.

O sistema mais avançado hoje em dia no tratamento de água, segundo a engenheira, é o de membranas de ultrafiltração e de osmose reversa em virtude da qualidade de água. “Objetivando a redução de produtos químicos e formação de lodos, as tecnologias relacionadas às membranas vêm sendo cada vez mais utilizadas”, detalha.
 
 
PODE HAVER ESCASSEZ DE ÁGUA

Questionada se existe o risco de em um futuro próximo faltar água potável na Terra, Adriana foi enfática ao dizer: “Acredito no risco de haver escassez de água potável no mundo. Por esse motivo, processos e tecnologias que minimizam o uso desse recurso, que gerem menos resíduos e o reuso da água são de extrema importância”.

Muitas indústrias utilizam a água como fonte de produção, a engenheira opina que o reuso de água é muito positivo, pois minimiza os resíduos descartados, o impacto ambiental é menor, e também por haver benefícios econômicos.

Por isso, a ProMinent utiliza tecnologias avançadas de oxidação, buscando minimizar a formação de subprodutos. Entre as tecnologias mais avançadas “disponibilizamos para nossos clientes tecnologia de filtração por membrana, de microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração e osmose reversa”.

Já para os processos de desinfecção existe tecnologia de controle de geração de dióxido de cloro, geração de ozônio, sistemas de UV e geradores de cloro por eletrólise.

A boa notícia é que com o avanço tecnológico o desenvolvimento industrial pode existir sem atingir o meio ambiente. Neste sentido, a ProMinent busca constantemente a conscientização dos clientes para questões ambientais. O exemplo mais recente é o trabalho realizado em conjunto com o ecopesquisador Dan Robson, que tem navegado por alguns rios no Estado de São Paulo, inclusive o rio Sorocaba.


Rio Sorocaba precisa de cuidado constante

Dan Robson, consultor de projetos ambientais, percorre o rio Sorocaba e ainda encontra degradação

O consultor de projetos ambientais e analista de sistemas Dan Robson Dias, 43 anos, percorreu no mês de maio o rio Sorocaba de caiaque. Uma verdadeira aventura, cuja proposta é um monitoramento do rio, tão importante para Sorocaba e região. Inúmeras cidades são abastecidas pelas águas do Sorocaba e sua despoluição hoje em dia é uma realidade, mas muito ainda falta para que o velho rio fique com as águas límpidas.

Dan, como é mais conhecido, não é um marinheiro de primeira viagem. Há 12 anos ele faz projetos e expedições, entre eles desenvolveu o projeto para a Rede Globo “Flutuador rios de São Paulo”, além do rio Shannon na Irlanda. Já no Brasil criou o projeto Águas do Amanhã. A ideia de fazer a expedição pelo rio Sorocaba, que terminou no dia 18 de maio, surgiu de uma em conversa com Alberto Cassone, executivo de marketing do jornal DIÁRIO DE SOROCABA.

A expedição da Dan foi quase um trabalho genealógico. Ele navegou da nascente do rio até a sua foz. “Analisamos não apenas os compostos químicos e os possíveis poluentes, mas também as pessoas que vivem em torno do rio, seu convívio com os animais e a sua preocupação ou não com a mata ciliar.”

Nessa aventura, o consultor teve o apoio do poder público e da iniciativa privada. “Como o projeto visa ajudar na despoluição de rios, tanto as prefeituras locais como as empresas que fabricam os produtos visando à despoluição têm ajudado, dando todo apoio logístico e financeiro para executar os laudos com todo profissionalismo possível.” Nessa expedição, conta Dan, teve o apoio da Secretaria do Meio Ambiente de Sorocaba e da empresa ProMinent, que forneceu todo apoio logístico e as sondas, que são equipamentos de ponta. Para a navegação na indicação dos pontos mais críticos do rio, o expedicionário teve o apoio do grupo Caturro Navegantes e da SOS Mata Atlântica. O caiaque utilizado para navegar pelas águas foi adaptado. “Chegamos a implantar um carregador de baterias solar para os equipamentos.”

Foram inúmeros os equipamentos utilizados para uma navegação segura pelo rio Sorocaba. Dan comenta que tudo começou pela escolha ideal do caiaque. “Cada rio tem uma característica singular. Essa escolha é fundamental. Para isso conto com mais de sete modelos para ser escolhidos conforme a minha necessidade.” O navegador ainda utilizou GPS, barracas, mochilas estanques, material de higiene pessoal, material de cutelaria e alimentos. “O caiaque é equipado com painéis solares que geram 12wolts para alimentar todo o sistema e o aparelho de multiparâmetros, onde guardo sondas fixas no fundo do caiaque, que analisam a qualidade da água, além disso, uso colete salva-vidas, capacete e luvas”, explica.
 
 
CUIDAR É DEVER DE TODOS

É inegável que a poluição no rio Sorocaba melhorou, mas ele ainda precisa de muitos cuidados em geral. “O rio ficou com a qualidade regular, demonstrando que está sendo recuperado. O lado bom é que todas as pessoas com quem conversei vêm me falando da melhoria que estão vendo em relação aos anos anteriores, e também a quantidade de lixo vem diminuindo drasticamente nos últimos tempos.”  “Não adianta nada o poder público tratar o esgoto, se o lixo continua sendo jogado nas ruas. A recuperação do rio é o resultado de um esforço coletivo e a participação do cidadão é fundamental. Por isso a educação é o primeiro passo para a solução dos problemas ambientais”, aconselha.

Conforme Dan, as margens do rio até que estão preservadas. “O lixo como garrafas e sacolas é pouco, isso ajuda, e muito, na sua despoluição. A quantidade de esgoto sendo lançada diretamente também é pequena, somente a mata ciliar que percebo em algumas regiões que está abaixo do normal. Em alguns locais quase não existe”, lamenta.
 
 
FALTA DA MATA CILIAR PREOCUPA

As margens do Sorocaba são ocupadas, muitas vezes, por agricultores, que aproveitam de suas águas. Dan relata que em 70% do rio quem tem o controle são os sítios e fazendas que fazem algum tipo de cultivo ou pastagem. “Em alguns casos, os proprietários estão perdendo terras, pois o rio está dragando as margens por falta de mata ciliar, eles estão de alguma forma fazendo um plantio para tentar reverter esse quadro. Mas é preciso orientá-los, pois eu mesmo vi, em alguns casos, coqueiros nas margens e boiando no rio. Sabe-se que o coqueiro não faz parte da mata nativa”, comenta Dan mostrando preocupação. 

O maior problema ainda encontrado por Dan no rio Sorocaba é o esgoto. “Ainda é preciso coletar e tratar todo o esgoto, esse é o maior contaminante de todos os rios. Não adianta você coletar 100% e tratar 10, 20 ou 90%. É preciso coletar e tratar 100% para que o rio possa voltar a ser limpo e vivo de novo.”
 
 
POUCO LIXO

O lado bom é que o navegador encontrou pouco lixo flutuante nas margens. “Isso é um sinal de civilização; de população educada, em tratar o rio como de deve tratar.” E complementa: “É lógico que avistei alguns pontos críticos, mas percebi que se trata de locais bem distintos e formados por um lixo bem velho. No geral, as pessoas com quem conversei, sempre que possível, recolhem um pouco desse lixo e ensinam a filhos e netos a não jogar nada no rio”.

A solução para melhorar a água do rio, segundo Dan, é coletar e tratar 100% do esgoto. “Fazer campanhas para que a população veja o rio como sua casa e não jogue lixo nele. Mostrar que um rio limpo é igual a uma vida melhor que gera menos doenças, além de um rio 100% limpo gerar turismo e renda para toda a região.”

Essa não será a última expedição de Dan pelo rio Sorocaba. O ecopesquisador pretende navegar novamente pelas águas do Sorocaba e fazer análises comparativas e “ajudar na luta por um rio melhor em breve para todos”.

 

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