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<< Aulas noturnas são canceladas após redução de policiamento

Publicada em 17/05/2013 às 21:52
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GREVE EM AUTOESCOLAS

Um dia depois de os instrutores retornarem às atividades em Sorocaba, algumas autoescolas preferiram cancelar as aulas noturnas devido à redução de policiamento no bairro Wanel Ville. Mesmo com a presença dos efetivos, cinco homens foram detidos acusados de tentar impedir um instrutor de trabalhar na quinta-feira (16). Eles quebraram a chave no contato do veículo e, desde que a greve foi iniciada, diversos carros tiveram os pneus furados. Porém, ontem o movimento foi maior e vários alunos voltaram às aulas. De acordo com o proprietário de uma autoescola, Sérgio Moreira, a decisão de cancelar as aulas foi uma medida de segurança. “Devido ao risco de represálias, achamos por bem suspender as aulas na quinta e na sexta-feira (ontem). Se tudo correr bem e estiver mais calmo, na segunda-feira (20) volta ao normal.” 

Ao todo, oito veículos da empresa de Moreira foram danificados e ele estima que irá demorar dois meses para regularizar as aulas. “Mesmo meus funcionários não tendo aderido ao movimento, eles ficaram parados por causa do risco e pressão que sofriam.”

Na terça-feira (14), o 15º Tribunal Regional de Trabalho em Campinas expediu liminar que determinou a volta de 60% dos profissionais de cada autoescola. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores e Empregados em Automotoescola de Campinas e Região (Sintrautodescamp), 100% da categoria teria aderido à greve. Entretanto, não é o que dizem os instrutores e responsáveis por autoescolas. Uma profissional que preferiu não se identificar e está no ramo há cinco anos, afirma que na empresa em que trabalha ninguém entrou em greve, mas foram orientados a não sair às ruas por causa do perigo. “Acho que agora a decisão é dos sindicatos, as autoescolas não têm o que fazer. Só não entendo por que o sindicato que abrange toda a região concentra tudo em Campinas e Sorocaba. As outras cidades estão tendo aulas normalmente”, afirma. 

Ela também cita o exemplo de municípios menores como Piedade, onde os instrutores não teriam vale-refeição nem vale-transporte. “Eles têm mais necessidades que nós.” A profissional afirma também que muitos alunos regrediram durante o período em que as aulas foram suspensas, pois tinham acabado de iniciar o treinamento. Por isso, existe a possibilidade de pagarem para fazer mais aulas do que as 20 necessárias. Ao todo, ela estima que está com 60 aulas atrasadas. Já o instrutor Adriano Cordeiro conta que 15 alunos foram prejudicados e a situação deve demorar a normalizar, pois as aulas não voltaram por completo. Um de seus alunos, o estudante Ângelo Adeni Francioli Filho, mesmo prejudicado, afirma achar válida a greve, pois os trabalhadores estão lutando por seus direitos. “Acho que todo mundo tem pressa em tirar a carta, mas entendo o direito deles. Das nove aulas que deveria ter feito, fiz apenas três.”

MELHORIAS – Os trabalhadores reivindicam aumento de 19% no salário, melhores condições de trabalho e benefícios como vale-transporte e convênio médico. Outra instrutora que também prefere não ser identificada, diz que os moradores do bairro é que os ajudam oferecendo água e banheiro. “Não é só nos dias de prova que precisamos de banheiro, e muitos colegas já passaram por situações constrangedoras, é humilhante para nós. Estamos expostos ao sol, chuva e assaltos, já que não há segurança alguma aqui”, explica. 

Na calçada, há muito mato e alguns bancos de madeira que os instrutores usam para descansar, que foram colocados por moradores. “Todos nós estamos perdendo, alunos e instrutores”, resume. A Polícia Militar foi procurada para explicar a diminuição do efetivo no bairro, mas não retornou. Segundo a advogada do sindicato que representa os trabalhadores, Ilda Boaventura, o órgão não tem condições de iniciar a greve nas 138 cidades a que atende. “Não temos condições nem financeiras para arcar com deslocamento e alimentação dos sindicalistas. Campinas e Sorocaba foram as cidades onde os trabalhadores mais reivindicavam.” Na segunda-feira (20), haverá mais uma audiência de conciliação entre o Sintrautodescamp e o sindicato patronal. 


 

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