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<< Centenária completa mais um ano de vida

Publicada em 26/05/2012 às 01:38
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ROSA MARIA SCAPOL BARBOZA: “Eu nunca tive inimigo” (Foto: Fernando Rezende)
Rosa Maria Scapol Barboza nasceu em 28 de maio de 1902, portanto irá completar na próxima semana 110 anos de idade. A senhora, de olhar meigo e totalmente lúcida, mora com a filha mais velha, Lúcia Barbosa Marron, 86 anos, em um apartamento no Jardim dos Estados. 

Carinhosamente chamada de Rosita, a idosa diz que tem muita história para contar. “Eu lembro de tudo que aconteceu na minha vida.” Rosita, que teve cinco filhos (dois faleceram), 12 netos, 18 bisnetos e nove tataranetos reconhece todos e está ansiosa para conhecer o novo membro da família. “Meu neto vem de Brasília trazer um bisneto para eu conhecer”, fala a senhora empolgada. Rosita tem uma saúde de ferro, porém não anda e tem a voz fraca devido ao avanço da idade. “Ela só toma remédio para circulação e oxigenação no cérebro”, conta Hilda Maria de Camargo, cuidadora da idosa há quatro anos. 

Rosa Maria conta muitas histórias e a que mais se orgulha é de quando e como nasceu. “Meus pais trabalhavam em uma plantação de café. Minha mãe colhendo o grão na escada e com a tesoura na mão sentiu as dores do parto. Não deu tempo de muita coisa. Esticaram um pano e eu nasci ali mesmo, no cafezal”, conta. Seus pais eram italianos, e a mãe morreu quando ela tinha apenas quatro anos de idade. Foi criada, então, pelo pai e irmãos, mas chorava muito com a falta da mãe. Com isso, um fazendeiro pediu para criar Rosa Maria para ser melhor assistida. O pai aceitou e Rosa passou a viver no Rio de Janeiro, mas era visitada frequentemente pelos familiares. 

Rosita cresceu e veio morar no interior de São Paulo. “Eu era funcionária pública da Prefeitura de Botucatu”, lembrou e comentou como levou a vida. “Eu nunca tive inimigo. Pessoas faziam fofoca, me contavam coisas, mas pedia pra deixar pra lá.”. Aposentou-se em 1961 vindo para Sorocaba em seguida. Depois do falecimento do marido em 1972, decidiu ser voluntária na creche Maria Claro. Nessa época, a senhora fazia trabalhos em crochê para ajudar a entidade; ainda sente falta das atividades. “Eu gosto muito de fazer crochê, mas não consigo mais. Sinto falta de arrumar a casa também”, falou. Porém, supera seus limites. Ela desfaz os rolos de linhas ajudando sua cuidadora ao trabalhar com artesanato. Rosa também fica em pé (com ajuda), come com garfo e faca sozinha, e reclama quando a comida não está de seu agrado.  

Hoje, seus familiares, que moram em Brasília, Santo André, na Grande São Paulo, e Belo Horizonte, irão comemorar os 110 anos da “vó”, como é chamada carinhosamente. Apesar de adorar reuniões, Rosita diz o que acha da comemoração. “Não tem por que fazer festa para uma velha. A gente só comemora quando é mocinha”, comenta.

Ao contrário do que Rosa Maria imagina, existem diversos motivos para comemorar: ser saudável, lúcida, com tantas pessoas queridas ao redor e com tanta história boa para contar! 
 
 
 
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