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<< Vegetação natural cobre hoje apenas 16,68% do Município Pesquisa da UFSCar pode ajudar no planejamento de áreas a serem protegidas na cidade

Publicada em 15/04/2012 às 01:10
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Um dos poucos locais que possuem vegetação natural é uma área na avenida São Paulo (Foto: Fernando Rezende)
Pesquisa realizada pelo Câmpus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) analisou a distribuição de fragmentos de vegetação natural de Sorocaba e comprovou um alto grau de fragmentação de habitat na cidade. Apenas 16,68% do território municipal tem cobertura florestal e 62% dos fragmentos são menores que 1 hectare (ha). A pesquisa também mostrou que o maior fragmento apresenta cerca de 300 ha, sendo 19% do território municipal formado por Áreas de Preservação Permanente (APPs) e, destas áreas, apenas 45% possuem cobertura florestal (50% de toda a cobertura florestal do Município).

Os resultados foram obtidos por meio da pesquisa "Análise Espacial de Remanescentes Florestais como Subsídio para o Estabelecimento de Unidades de Conservação", da discente Kaline de Mello, do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação (PPGDBC) da UFSCar. O estudo foi orientado por Eliana Cardoso Leite e co-orientado por Rogério Hartung Toppa, professores do Departamento de Ciências Ambientais (DCA) da Universidade, e analisou a distribuição espacial dos fragmentos de vegetação natural para fornecer subsídios para o estabelecimento de Unidades de Conservação em Sorocaba. De acordo com a orientadora, "o estudo poderá auxiliar no planejamento de futuras áreas a serem protegidas, como unidades de conservação, e também no planejamento de áreas prioritárias para recuperação de florestas, conectando os fragmentos atualmente existentes e melhorando, assim, a paisagem, o microclima, e a diversidade de flora e fauna em nossa região".

RESTAURAÇÃO DAS APPs - Segundo o estudo, a restauração de todas as APPs representaria um incremento de 11% na cobertura florestal de todo o território, passando de 16,68% para 28%, e também o surgimento de fragmentos maiores que 3 mil hectares. As áreas com maior prioridade para conservação apresentam-se na região sudeste do Município e a maior parte nas áreas rurais ainda existentes. Outra área com alta prioridade apareceu na margem do rio Pirajibú. Com exceção da área pública, denominada Parque "Mário Covas", as demais áreas com prioridade muito alta encontram-se em propriedades particulares, o que deve levar a um incentivo de criação de Unidades de Conservação (UCs) particulares.

O atual quadro de escassez de remanescentes florestais do Município gera, por outro lado, uma demanda por ações imediatas de conservação e restauração ecológica. As estratégias devem envolver a parada e, se possível, a reversão do processo de degradação dos ecossistemas naturais. Desse modo, a cidade deve assegurar a conservação dos remanescentes, por meio de UCs públicas ou particulares, e deve implantar um programa de restauração ecológica envolvendo diversos atores como escolas, indústrias, ONGs e outros setores.

A orientadora da pesquisa considera ainda que a expansão da cidade é um processo contínuo e o planejamento territorial deve ser feito de forma a conciliar as demandas por infraestrutura com a conservação dos remanescentes florestais. Os planos de expansão urbana e industrial devem ser integrados aos planos de conservação e restauração das áreas naturais, previstos na Política Municipal de Meio Ambiente. 

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