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<< Funcionários de empresa de ônibus fazem greve, mas trabalham até março Apesar de ter sido prejudicada, população apoia a causa e também pede mudanças

Publicada em 17/02/2012 às 22:17
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Estausia, no microfone, decreta 1º de março como prazo limite para a empresa se manifestar (Foto: Fernando Rezende)

Funcionários da empresa Rápido Luxo Campinas, que opera linhas de ônibus intermunicipais de Sorocaba, fizeram um protesto na manhã de ontem contra as más condições dos veículos com os quais trabalham. A paralisação atingiu os usuários das cidades de São Roque, Itu, Iperó, Araçoiaba da Serra, Salto e Tatuí, que ficaram sem condução. Durante as horas de greve, apenas 30% da frota atendeu à população dessas cidades. O serviço se normalizou após às 12 horas, quando o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região esteve na frente da garagem da empresa, na Vila Rica, e decretou que a greve continua até 1º de março, prazo máximo para a companhia se manifestar. O sindicato garantiu que até lá os ônibus atenderão normalmente.

De acordo com o presidente do sindicato, Paulo João Eustasia, os cerca de 450 funcionários estão reivindicando melhores condições de trabalho, que envolvem a manutenção dos veículos, que é precária. “Existem carros com desgaste no volante de direção, nos freios e outros problemas mecânicos que colocam em risco a vida do trabalhador e dos usuários”, apontou. “A manutenção desses veículos é precária. Os próprios mecânicos dizem que não tem mais peça para repor. Já aconteceu de cair o tanque de combustível do ônibus na rodovia e até faltar freio, além de outros problemas que os motoristas passam todos os dias.”

Conforme Eustasia, o sindicato cobra melhorias da empresa há cerca de um ano, porém apenas promessas são feitas. “A empresa assume que está com problemas e pede um prazo para fazer a troca dos ônibus, mas o prazo acaba e ela não faz nada. Chega um momento que a tolerância acaba.” Além das péssimas condições dos ônibus, os trabalhadores sofrem com a falta de estrutura oferecida pela empresa. “Eles têm que comprar o uniforme do próprio bolso e são contratados para trabalhar em Sorocaba como sendo de outras cidades, para receber bem menos. A empresa faz isso em cidades desassistidas pelo sindicato.”

Respondendo às acusações de ilegalidade da greve, o sindicato rebateu: “A sede é em Sorocaba, o CNPJ é de Sorocaba, a concessão pública é por Sorocaba, a garagem onde ficam os ônibus é em Sorocaba. Portanto, devem pagar o trabalhador conforme o Acordo Coletivo de Sorocaba, que é onde a empresa atua”. O sindicato ainda acusou a empresa de coagir os funcionários, ameaçando-os de demissão caso não voltassem ao trabalho.

Na tentativa de sanar os problemas assumidos pela Rápido Luxo Campinas, o sindicato decretou estado de greve até 1º de março. “Esperamos uma resposta da empresa, mas até lá 100% dos ônibus estarão atendendo à população”, garantiu Eustasia. Conforme o representante da categoria, as viagens para Campinas, em ônibus fretado da empresa, também foram interrompidas por motivo da greve. Mesmo com as manifestações, os representantes da empresa alegaram desconhecer os motivos da paralisação.

Entre o final de 2010 e início deste ano, a Rápido Luxo Campinas assumiu as linhas das empresas do grupo Nossa Senhora da Ponte, Pontur e Ituana e da empresa São Jorge. Ela passou, então, a atender aos usuários das linhas suburbanas de algumas cidades da região, além de linhas rodoviárias de Sorocaba a Campinas, Piracicaba, Jundiaí, Osasco, entre outras.

Conforme Eustasia, a empresa havia sido notificada pela 3ª vez sobre a possibilidade de greve. O último aviso expirou na segunda-feira (13), porém a empresa não se manifestou. “Por isso fizemos a paralisação.”

POPULAÇÃO APOIA – Mesmo tendo sido prejudicado pela paralisação dos funcionários da Rápido Luxo Campinas, o almoxarife Pedro Henrique Soares, 28 anos, disse estar otimista com a iniciativa. “Quem sabe agora a empresa melhore esse atendimento. É incrível como a gente passa apuro nesses ônibus e eles não fazem nada.” Na manhã de ontem o jovem precisou pegar o ônibus da Viação Cometa e pagar R$ 7,50 pela viagem para evitar chegar atrasado a0o trabalho. “Ainda bem que tem esse Cometa, se não só Deus sabe quando eu chegaria no meu serviço.”

O morador de São Roque contou que já presenciou por várias vezes a parada forçada dos ônibus devido a problemas mecânicos. “Já cheguei a ficar quase duas horas parado na rodovia esperando outro ônibus buscar os passageiros porque o que eu estava havia quebrado”, lembrou. “E com isso eu tenho as horas de atraso descontadas do meu salário e a Rápido Luxo Campinas não quer nem saber.”

Também a empregada doméstica Maria de Fátima Proença, 45 anos, diz sempre ter de se explicar com a patroa por chegar atrasada. “Quando o ônibus não demora a passar, ele quebra porque está lotado. A gente sofre nesses ônibus, mas ninguém faz nada.” Para ambos os usuários da linha Sorocaba – São Roque, a paralisação é positiva porque vai beneficiar também os trabalhadores que dependem dessa condução. “Só assim para haver mudanças.”

 

  

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