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<< Lindemberg pede perdão, admite tiro fatal, mas sentença só sai nesta quinta

Publicada em 15/02/2012 às 23:09
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A advogada do réu, Ana Lúcia Assad, falou à imprensa (Foto: ABCDigipress/Folhapress)
Ficou para esta quinta-feira a sentença da Justiça para o motoboy Lindemberg Alves Fernandes, 25 anos. Ele é acusado de ter matado a namorada, Eloá Pimentel, que tinha 15 anos, em outubro de 2008, e de ter mantido em cárcere privado outros três amigos da garota - Victor Lopes, Iago Vilela de Oliveira e Nayara Rodrigues, que foi atingida por um disparo no rosto. Em todos esses anos, o rapaz nunca havia se pronunciado sobre o caso, mas isso aconteceu ontem, no terceiro dia de seu julgamento, durante interrogatório no tribunal, quando admitiu ter sido o autor do tiro fatal. 

Todas as testemunhas foram ouvidas e, hoje, restam os debates entre defesa e acusação (uma hora e meia para cada) e, em seguida, os jurados terão uma hora para decidir a pena do réu. 

A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, sentiu-se mal e cogitou não ir ao julgamento. Entretanto, encontrou forças e compareceu para ouvir o interrogatório do assassino de sua filha. Desde cedo, a advogada do acusado, Ana Lúcia Assad, garantiu que seu cliente iria falar, que estava calmo e iria dar sua versão, “a verdade”, segundo ela. 

O tenente da Polícia Militar, Paulo Sérgio Schiavo, foi uma das testemunhas a depor nesta quarta. Ele pertence ao Grupo de Operações Táticas Especiais (Gate) e detonou a bomba que abriu a porta do apartamento de Eloá, onde ela e Nayara eram mantidas em cárcere sob a mira da arma de Lindemberg. Conforme contou, logo após o estrondo, o rapaz teria dito: “Estou vivo, estou vivo e consegui matá-la”. Segundo o policial, o acusado estava eufórico e repetiu várias vezes: “Matei, matei”. Schiavo garantiu que houve um disparo, em seguida a bomba para arrombar a porta foi detonada, e após foram dados mais tiros. 

Mas o momento mais esperado era mesmo o interrogatório do próprio autor do crime. Por volta das 14h30, Lindemberg deu início e começou dizendo: “Estou aqui para falar a verdade. Tenho uma dívida com a família dela”. 

O réu disse que não sabia que Eloá estaria acompanhada e só queria conversar com ela. Estava armado, pois alega que estava sendo ameaçado. “Mandei os três (Victor, Iago e Nayara) saírem do apartamento, mas eles se recusaram. Fiquei surpreso com a presença e a Eloá ficou assustada ao me ver”.

Ele tentou demonstrar arrependimento quando se dirigiu à Ana Cristina Pimentel. “Quero pedir perdão para a mãe dela em público, pois eu entendo a sua dor. Era muito amigo da família. Infelizmente foi uma vida que se foi, mas em alguns momentos levamos aquela situação como se fosse uma brincadeira”, disse.

No interrogatório, explicou ter ficado sem saber o que fazer quando a polícia chegou ao local. “Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer. Só não saímos, pois tínhamos medo da reação da polícia”, afirmou à juíza Milena Dias.

A primeira vez que fez uso da arma, ele admite que foi quando a menina levantou a voz. “Puxei a arma quando ela começou a gritar comigo, mentindo que não tinha ficado com o Victor”, disse. E confessou que deu o tiro fatal. “Quando a polícia invadiu, a Eloá fez menção de levantar e eu, sem pensar, atirei. Foi tudo muito rápido.”

Entretanto, Lindemberg disse que não pode afirmar ter atirado em Nayara. “Não posso dizer se atirei ou não na Nayara. Eu não me lembro.”

Por volta das 19h45, teve fim o terceiro dia de julgamento. Embora se esperasse a sentença ainda nesta quarta, para preservar a saúde física de todos os envolvidos no julgamento, os momentos finais e a decisão ficaram para esta quinta-feira. 

O quarto dia de trabalhos, que se espera seja o último, deve ter início às 9 horas, com os debates da acusação e da defesa. O júri, composto por seis homens e uma mulher, então vão se reunir em local separado para decidir o que será do futuro do acusado. Acredita-se que em seis horas tudo estará resolvido e a sentença será proferida pela juíza Milena Dias. 

 
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