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<< Comissão em defesa do Pirapitingui denuncia situação precária do hospital

Publicada em 14/02/2012 às 21:41
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A Comissão da Justiça entregou à promotora as denuncias e acusações contra a diretoria do hospital (Foto: Fernando Rezende)
Familiares e representantes de portadores de hanseníase estiveram na tarde de ontem na sede do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), para denunciar problemas no Hospital “Dr. Francisco Ribeiro Arantes”, o Pirapitingui, em Itu. A imprensa não teve acesso à reunião. De acordo com os membros da Comissão da Justiça, que luta por melhorias no local, a denúncia deverá chegar ao Ministério Público informando que a estrutura oferecida aos pacientes e seus acompanhantes está cada vez mais precária.

A triste situação do hospital se repete há anos, mas as tentativas de reverter o quadro não cessam. E para continuar nesta luta, foi formada a Comissão da Justiça, que esteve em reunião com a promotora Maria Aparecida Castanho. Um dos membros da comissão, Emanuel Rodrigues, disse que uma lista de pedidos e acusações e uma pasta contendo mais de cem cartas dos pacientes “pedindo socorro”, foram entregues à promotora. Ele disse ainda que os relatos trazem a cruel realidade do hospital. “São mais de 320 pessoas vivendo naquela precariedade. E muitas expuseram suas histórias aqui clamando por atenção.”

O hospital é o único do Estado de São Paulo que abriga hansenianos, com direito à moradia individual, com quarto, sala, cozinha e banheiro. A construção foi inaugurada em 1937, mas seu destaque deu-se na década de 60, quando chegou a comportar cerca de quatro mil pacientes. Atualmente são 261 pacientes com seus familiares que vivem nas mais de 300 casas oferecidas pelo hospital. Segundo o diretor técnico substituto do Pirapitingui, Celso Aparecido Fattori Júnior, das 303 residências, 184 são de pacientes, 67 estão abandonadas, 46 são usadas por familiares e seis são invadidas.

Outra denúncia feita pelos membros da Comissão trata exatamente das moradias. “As casas que deveriam ser dos pacientes estão sendo ocupadas por funcionários que se mudam altas horas da noite para não ser percebidos, mas nós sabemos de tudo”, disseram. “E isso acontece com o consentimento da diretoria.” Conforme os membros, a última mudança de funcionário ocorreu no dia 11 passado. “A mudança aconteceu às 23 horas. Questionamos a portaria e eles assumiram que era mesmo a mudança de uma funcionária.” 

A filha de um dos pacientes, Geni Gonçalves, informou que seis familiares estavam com ordem de despejo para hoje, mas que essa situação também seria levada à promotora. “Eu moro lá há quase 20 anos, já cuidei da minha mãe que faleceu e hoje cuido do meu pai. Sou tratada como irregular, porque não deveria morar lá. Mas e os funcionários que conseguem as casas, são regulares?”, questiona. “Os descasos são absurdos e a impressão que temos é de que o local foi abandonado pela sociedade, esquecido pelas autoridades e a administrado por um bando de tiranos.”

Mais denúncias referem-se à abertura das correspondências dos pacientes, feita sem autorização pela gerência social do hospital; do valor e o destino das verbas oferecidas pelo governo do Estado; e o projeto da reforma dos pavilhões e do cemitério do hospital. “Nunca vimos as prometidas melhorias e sabemos que a verba chega até o hospital.” 

Além desta verba pública, o hospital arrecada quantias através de doações da sociedade, mas é outro dinheiro que a Comissão diz ser desviado. “O Caixa Beneficente do hospital solicita doações de grandes proporções aos colaboradores, que são empresas de grande porte da cidade e região. E tudo é feito em nome dos pacientes e dos familiares, mas não vemos onde esse dinheiro é utilizado”, denunciam. “Chegou um lote de geladeiras e fogões novos, que foram descarregados no Salão Padre Bento, para serem distribuídos aos moradores hansenianos, mas não recebemos nada.” Para mostrar a situação precária do Pirapitingui, a comissão convida o Ministério Público a visitar o local.

 

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