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<< Câmara discute política sobre drogas e cria fundo para serviços na cidade

Publicada em 21/09/2011 às 20:15
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Edith ressaltou que com aumento no orçamento, todos os bairros do município poderão ser atendidos pelos serviços contra as drogas (Foto: Divulgação)
A criação de um fundo para angariar recursos e destiná-los a projetos relacionados ao combate, redução e prevenção do uso de drogas foi o consenso de ontem na Câmara Municipal durante audiência pública que tratou da política sobre drogas, desenvolvida no município pela administração pública e também por instituições parceiras. No que depender do vereador Hélio Godoy (sem partido), responsável pela audiência, antes de dezembro o orçamento para o fundo deverá ser aprovado pela Casa de Leis.

A secretária de Juventude, Edith Maria Di Giorgi, disse estar bastante animada com o apoio de Godoy e espera conseguir também a aprovação dos demais vereadores. “Conversei com o Lippi na segunda-feira passada e ele deu carta branca para a criação desse fundo, mas como precisamos da aprovação da Câmara esse apoio é muito importante.” Caso aprovado, o fundo deverá ser gerido pelo Conselho Municipal Antidrogas (Comad).

Além do vereador e de Edith, participaram da audiência especial de ontem, representantes da Secretaria da Saúde, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Comad, Conselho Municipal da Criança e Adolescente (CMDCA), Grupo de Apoio contra Álcool e Drogas Santo Antônio (Grasa), Centro de Integração da Mulher (CIM) Centro Terapêutico Viva (CVV), Narcóticos Anônimos e das pastorais da Criança, do Menor, da Juventude e Casos Especiais, além de outras ONGs e instituições.

De acordo com a secretária da Juventude, o dinheiro repassado pelo município, Estado e Federação para serviços relacionados à política sobre drogas, chega a diferentes pastas envolvidas nos projetos, mas o melhor seria ter um fundo onde todo recurso referente ao assunto fosse depositado. “Recursos vindos de apreensões, por exemplo, poderão entrar para esse fundo, que irá proporcionar uma melhor atuação dos serviços na cidade.” 

Godoy, que é autor de projeto de lei em tramitação na Casa que prevê a criação do Programa Municipal de Combate às Drogas, disse que é preciso conhecer a realidade para dar início a um trabalho efetivo. Como presidente da Comissão Orçamentária da Câmara, o vereador ressaltou a importância de verbas orçamentárias, através de emendas parlamentares, para ampliar o trabalho das instituições que trabalham no combate ao uso de drogas e tratamento de dependentes químicos. “Vou fazer todos os esforços, desde que haja programas exequíveis, palpáveis, iremos aprovar”, disse para Edith. 

PESQUISA - O professor Flaviano Agostinho de Lima apresentou dados da pesquisa encomendada pela Secretaria da Juventude a Ipeso, quando foram ouvidas 1.220 pessoas entre 14 e 29 anos. A estimativa do consumo de drogas entre os jovens de Sorocaba aponta que 83% dos jovens nunca experimentaram; desses, 16% afirmaram que já usaram algum tipo de droga como maconha, cocaína, crack e ecstasy. O estudo também aponta que grande parte do consumo está nas classes A, B e C. 

FOCANDO AS BASES - A secretária da Juventude destacou que o uso de drogas é uma grande preocupação da administração municipal e quão é necessário o comprometimento da família com a educação. “O uso de drogas está ligado à falta de limites em casa. Temos que discutir qual o papel da família”, disse. 

O capitão da Polícia Militar, Ubiratan Marques, indicou a criação de folhetos informativos também aos pais para ensinar como lidar com esses problemas. A dica é resultado da convivência que o capitão tem com pais de alunos, que o questionam como agir diante de atitudes estranhas dos filhos. O capitão lembrou que a PM realiza o Proerd para pais, mas a participação é mínima. “Nossos encontros acontecem sempre à noite, mas ninguém quer deixar de assistir à novela das oito. Os pais estão carentes de informação.”

MAIS ATENDIMENTOS - Sobre a concentração das ações na periferia, a secretária defendeu a ampliação do trabalho a todos os bairros do município, o que não acontece ainda por falta de verbas. “Políticas públicas tem que ser universais, mas temos que dar prioridade para quem mais precisa. Sem condições de estar em todos os lugares, temos que fazer uma opção”, disse. 

Sobre a polêmica envolvendo o material de Redução de Danos, a equipe da Prefeitura esclareceu que o programa é uma estratégia ampla para evitar a transmissão das doenças sexualmente transmissíveis, principalmente o HIV/Aids e que o material produzido é específico e de extrema importância, indo muito além do consumo de drogas. “O problema com a distribuição dos fôlderes já foi solucionado, mas foi ele que abriu margens para essa discussão ser ampliada. E isso é bom”, diz Edith.

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