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<< Dilma faz discurso histórico ao abrir Assembléia-Geral da ONU

Publicada em 21/09/2011 às 20:14
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A presidente falou a líderes de diversas nações (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Primeira mulher a discursar na abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff homenageou ontem (21) todas as vozes femininas do mundo, como ela mesma se referiu. Emocionada, reconheceu que tanto o Brasil como o restante do mundo “ainda precisam fazer muito mais” pela valorização e afirmação das mulheres.

“O meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral [da ONU] Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas”, disse.

Na plateia, além dos líderes políticos mundiais, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, estavam a única filha da presidente, Paula, e a representante do Brasil nas Nações Unidas, Maria Luiza Viotti.

GUERRA CAMBIAL – No início de sua fala, a presidente referiu-se à crise econômica global, e afirmou ser preciso impor controles à guerra cambial. “Trata-se de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetária excessivamente expansionistas quanto pelo artifício do câmbio fixo", explicou.

CONSELHO DE SEGURANÇA - Ela defendeu também a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil reivindica uma vaga de membro permanente no órgão.

“A atuação do Conselho de Segurança é essencial e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões, e a legitimidade do próprio conselho depende cada dia mais de sua reforma”, destacou. “A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do conselho o que corrói sua eficácia.”

Dilma lembrou que o debate sobre a reforma do conselho já dura 18 anos. “O mundo precisa de um conselho que reflita a realidade contemporânea, que incorpore novos membros permanentes e não permanentes, em especial, representantes dos países em desenvolvimento”, ressaltou.

O Conselho de Segurança da ONU ainda mantém a estrutura dos anos após a 2ª Guerra Mundial – com 15 membros, cinco permanentes (China, França, Rússia, o Reino Unido e os Estados Unidos) e dez rotativos. Um dos assentos rotativos é ocupado pelo Brasil, que cumpre mandato até dezembro.

PALESTINA - Dilma Rousseff lamentou não ter a Palestina entre os países participantes da reunião. Ao cumprimentar os representantes do Sudão do Sul, país que pela primeira vez participa do encontro multilateral, Dilma lamentou a ausência da nação palestina.

"O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nessa assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título."

A menção de Dilma à Palestina foi aplaudida pelos que participam da reunião. O Brasil já considera oficialmente a existência do Estado palestino desde dezembro do ano passado, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem de reconhecimento à Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O ingresso da ANP na ONU é um dos pontos polêmicos da reunião. A proposta encaminhada pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas, que tem o apoio da maioria dos países-membros, pede que a ONU reconheça o Estado palestino, segundo as fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967.

MILITÂNCIA - Dilma lembrou de sua vida como militante política, quando foi torturada em defesa da democracia e da preservação dos direitos humanos e da justiça. “Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje. Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade. E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU”, encerrou.

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