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<< Correios acumulam mais de 400 mil encomendas sem previsão de entrega Empresa e sindicatos se contradizem e paralisação deve continuar

Publicada em 20/09/2011 às 19:38
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Enquanto a população aguarda a entrega de correspondências, mais de 400 mil acumulam nas agências (Foto: Fernando Rezende)
A greve dos Correios, que começou no último dia 14, está gerando, cada vez mais, impasse entre a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e o sindicato da categoria. Na manhã de ontem, a empresa divulgou nota informando a queda na adesão à greve e seu possível fim. Já o representante dos funcionários sorocabanos, Gilmar Gomes da Silva, negou a veracidade das informações e enfatizou que o movimento paredista segue firme, tanto que mais de 400 mil itens estão acumulados nas unidades dos Correios na cidade.

Segundo a nota dos Correios, na segunda-feira (19), a adesão dos trabalhadores à paralisação havia caído para 23%, e com isso a empresa tinha 77% do seu efetivo em atividade normal. No entanto, Silva, diretor da subsede do Sindicato da categoria em Sorocaba, contrariou a informação da ECT e destacou que a greve na cidade passa dos 50% de adesão. “Eles (a empresa) mandaram a nota para fazer com que o pessoal volte a trabalhar, mas não será assim”, garantiu.

Por falta de negociação entre as partes, o movimento paredista já fez acumular grande quantidade de correspondências nas agências dos Correios na cidade. Silva aponta a empresa como culpada dessa situação, já que tinha conhecimento da precariedade dos trabalhadores. “Os Correios têm um déficit de 20 mil funcionários em todo o País. A empresa faz o carteiro andar até 20 quilômetros por dia, sendo que o máximo que deveriam andar é sete quilômetros”, disse o diretor da subsede na cidade ressaltando ainda que a pressão e a cobrança também prejudicam o desempenho dos trabalhadores. “É uma exploração total”, frisou.

SEM NEGOCIAÇÃO, GREVE CONTINUA - O Comando Nacional de Negociação e Mobilização da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentec) esteve em reunião, na segunda-feira (19), com a ECT, mas nenhum acordo foi fechado. Então, através de comunicado divulgado no site da Fentec, a indicação era de que a Campanha Salarial 2011 fosse continuada. No texto foi lembrada a vitória que a categoria teve por meio da paralisação realizada em 2008, que durou 21 dias. Na ocasião eles conquistaram 30% de aumento, Adicional de Atividade de Distribuição ou Coleta Externa (AADC) para os motoristas, adicional de Operação de Triagem e Transbordo (OTT), e Adicional de Atividade de Guichê (AAG) aos atendentes comerciais. 

POPULAÇÃO SOFRE, MAS APOIA – Enquanto o impasse não é resolvido e as correspondências não são entregues, a população procura formas de não atrasar o pagamento das contas. É assim que tem sido a rotina da auxiliar de escritório Patrícia Aparecida Ferreira. A moradora da Vila Barão contou que está aflita pelo recebimento da conta de telefone, que ainda não chegou. “Vou ter que entrar na internet e imprimir uma segunda via se não terei que pagar juros pelo atraso.” Na opinião de Patrícia, a greve é uma atitude correta, mesmo prejudicando a população. “Só assim os direitos dos trabalhadores são cumpridos”, acredita. 

A empregada doméstica Ligiane Faria Maciel também está a favor da causa, mesmo tendo de aguardar mais um tempo para enviar sua encomenda via PAC, que é um serviço de envio exclusivo de mercadoria. “Acredito que as autoridades não deveriam esperar acontecer a greve para dar o benefício. Não sou contra a greve, mas agora terei de esperar ela acabar para enviar minha encomenda, ou posso deixar na agência, mas sem previsão de entrega.” 

De acordo com a federação, funcionários de 26 Estados e o Distrito Federal estão em greve, totalizando 34 sindicatos. A última cidade que faltava aderir ao ato, Uberaba, em Minas Gerais, está fazendo parte do movimento a partir de hoje. Na próxima sexta-feira (23), os 35 sindicatos deverão fazer uma passeata unificada, às 16 horas.  

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, avisa que o ponto será cortado daquele que aderir à paralisação. "Não podemos confundir greve com férias! Quem não trabalha não pode ser pago", diz.

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