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<< MANICÔMIOS: Comissão ouve psiquiatra e psicólogo na Câmara

Publicada em 29/04/2011 às 21:24
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Vereadores ouvem psiquiatra e professor no segundo dia de oitivas (Foto: Divulgação)
Presidida pelo vereador Izídio de Brito (PT) e relatada pelo vereador Luís Santos (PMN), a Comissão Especial dos Hospitais Psiquiátricos, constituída para investigar as condições de internação e o tratamento dos pacientes desses hospitais em Sorocaba e região, ouviu mais duas testemunhas na manhã desta sexta-feira (29).

Foram ouvidos o coordenador de psiquiatria do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, o médico Carlos Eduardo Kerbeg Zacharias, e o professor Marcos Garcia, que substituiu o presidente da Associação de Amigos e Familiares de Doentes Mentais de Sorocaba e Região, Douglas Parra, que não pôde comparecer. 

O psiquiatra Carlos Eduardo Zacharias foi o primeiro a prestar esclarecimentos. O médico apresentou dados do atendimento psiquiátrico no Brasil e fez comparações com a situação em outros países, criticando a chamada reforma psiquiátrica e a redução do número de leitos hospitalares no País. O psiquiatra teceu críticas à política de saúde mental do governo federal e também à estrutura oferecida pelo SUS aos pacientes com doenças mentais.

Em seguida falou o psicólogo Marcos Garcia, mestre e doutor em Psicologia Social e professor do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Garcia é responsável pela pesquisa sobre o número de mortes nas unidades manicomiais de Sorocaba e região apontados por estudo do Flamas (Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba). 

O professor explicou como a pesquisa foi aplicada e defendeu a reforma psiquiátrica, que defende a “desinstitucionalização” do doente mental e propõe a transferência dos leitos de psiquiatria para os hospitais gerais ou CAPs (Centros de Atenção Psicossocial). “Estamos no mínimo 60 anos atrasados em relação aos cuidados com a saúde mental”, afirmou o psicólogo.

A audiência pública contou com intensa participação de outros profissionais da área de saúde. Os trabalhos da comissão, cuja primeira oitiva foi com familiares de pacientes mortos, já resultou em medidas efetivas de investigação das denúncias. Representantes da Secretaria Nacional de Direitos Humanos estiveram na cidade, na quarta-feira (27), para fazer um levantamento da situação de hospitais psiquiátricos do município. 

“Isso já é resultado das denúncias que ganharam repercussão nacional, através dos trabalhos da nossa comissão”, ressaltou o vereador Izídio de Brito (PT). Além dele e de Luís Santos, integram a comissão os vereadores José Crespo (DEM), Rozendo de Oliveira (PV) e Neusa Maldonado (PSDB).

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