Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018 ASSINE O DIÁRIO 15.3224.4123

Diário de Sorocaba

buscar

<< Isolado no ninho tucano, Amary apela para o PMDB Com o político mudando de legenda, começa a corrida eleitoral para suceder Vitor Lippi

Publicada em 26/03/2011 às 21:04
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Vice-presidente da República, Michel Temer, diz que aprova presidência regional de Amary no partido (Foto: Fernando Rezende)
Será nesta segunda-feira (28), às 19 horas, no espaço de eventos do Shopping M, no Parque Campolim, para cerca de 500 convidados, a convite do vice-presidente da República, Michel Temer, o ato de filiação do ex-prefeito e ex-deputado federal Renato Amary ao PMDB. O evento vai agitar não apenas a cidade, como também o cenário político que se desenha para as eleições municipais de 2012.   
 
Renato Amary foi prefeito de Sorocaba por oito anos (1997-2004), e sua gestão ficou marcada por um desenvolvimento rápido da cidade, motivado especialmente pelo reforço que a receita municipal ganhou com o fim das isenções fiscais a indústrias, que haviam sido concedidas 30 anos antes, ainda no governo Armando Pannunzio. Amary foi perdendo espaço dentro de seu antigo partido, o PSDB, que ajudou a fundar na cidade. Quando saiu da Prefeitura, ele apostou em Luiz Leite, seu ex-secretário das Finanças, para seu sucessor. Só que, cassado durante a campanha, Leite foi substituído por Vitor Lippi, que venceu as eleições. 

Amary foi eleito deputado federal no pleito de 2006. Passados dois anos, em 2008, disse ao partido que seria novamente candidato ao Paço. Mas, Lippi também quis a oportunidade de prosseguir seu trabalho, buscou apoio de outras correntes tucanas e foi indicado para continuar no cargo. Amary declarou publicamente não votar no escolhido pelo seu partido, e seu discurso foi utilizado – em vão – pelo PT para tentar roubar votos de Vitor Lippi, que acabou reeleito.

Nas últimas eleições, em 2010, Renato Amary se juntou em dobradinha com sua ex-esposa Maria Lúcia (também do PSDB) para se manter na Câmara dos Deputados, mas não conseguiu. A exemplo de outros tucanos, ela também o abandonou politicamente e se alinhou ao grupo do prefeito Vitor Lippi e do ex-deputado federal Antônio Carlos Pannunzio.     

O novo berço político do ex-prefeito será o PMDB, partido do qual se originou o PSDB (vide matéria). Michel Temer convidou Amary com a promessa de que ele seja candidato à Prefeitura de Sorocaba em 2012, e com a contrapartida da liderança de Amary para organizar cerca de 20 diretórios municipais do partido na região - esperança de força para o PMDB e fôlego novo para Renato Amary.

Para o ano que vem, a exemplo do que vem ocorrendo nos últimos anos, PSDB e PT certamente terão candidaturas próprias em Sorocaba. O PMDB deverá indicar Renato Amary, caso não esbarre na Lei da Ficha Limpa, por conta das condenações que ele vem sofrendo em várias esferas do Poder Judiciário (vide matéria). O vereador Caldini Crespo (DEM), que vem fazendo oposição ao prefeito Vitor Lippi na Câmara, também poderá disputar a Prefeitura pelo DEM. Hélio Godoy (PTB) também se movimenta nos bastidores para concorrer ao Paço. Raul Marcelo (PSOL) aparece como alternativa da extrema esquerda. Outro partido que pode entrar na corrida é o PV; os verdes já teriam sondado o ex-prefeito e ex-deputado federal José Theodoro Mendes (atualmente no PMDB), que declarou ter até o fim de setembro para decidir. Theodoro, que também não tem laços políticos com Amary, dificilmente permanecerá no PMDB.     

Embora o próximo pleito municipal esteja prometendo embate de nomes fortes da política sorocabana, ainda não se sabe qual a dimensão dessa briga. Certo mesmo é que o ato político de junção entre PMDB e Renato Amary é o primeiro de muitos fatos que devem esquentar a disputa.


Com fôlego novo, ex-prefeito já foca petistas com elogios 

"Podem entrar aqui. Só não tirem foto ainda." Foi assim que Renato Amary recebeu a reportagem do DIÁRIO, na tarde de sexta-feira, sentado em seu escritório, acompanhado daquele que é seu barbeiro há 35 anos, e vestido com uma capa para proteger a roupa dos fios de cabelo, preparando-se - inclusive visualmente - para a festa de segunda-feira, quando assinará a ficha de sua filiação ao PMDB.

Em meio a navalhas e tesouras do antigo profissional, alguns telefonemas. De prefeitos a presidentes de instituições, eles querem saber novidades do fato que agita a política sorocabana. Em meio à entrevista, Amary também se preocupa com os detalhes do evento. "É uma ocasião muito importante, pois vamos receber o vice-presidente da República, Michel Temer, e isso exige segurança oficial, cerimonial rigoroso, entre outras preparações específicas", contou, ainda sem saber da antecipação da vinda de Temer, que visitou Sorocaba na tarde de ontem e cancelou sua presença na festa de amanhã. 

Foram quase vinte anos de atuação no mesmo partido - o PSDB. Agora, em nova casa, Amary se mostra ansioso pelos desafios. "Fôlego novo, trabalho novo. Estou animado porque este é um recomeço, já que nunca trabalhei politicamente em outra legenda", reconhece. O ex-prefeito lembra de um reality show para descrever sua sensação no antigo partido: "Me senti emparedado, igual no Big Brother. Não havia mais espaço para mim. Declarações públicas demonstravam que eu não teria possibilidade de almejar a mais nada. Mas, deixo muitos amigos lá, como o governador Geraldo Alckmin e vários secretários de governo que foram companheiros na Câmara dos Deputados", explica. 

Amigos, também Amary afirma que terá no PMDB. "O Michel (Temer), político da cidade vizinha de Tietê, é meu amigo de longa data. Sabendo dos problemas pelos quais passei, me convidou para ingressar em seu partido e, após alguns acordos políticos, aceitei. Começo um novo ciclo, com mais energia", conta. Ele confirma que a intenção da legenda é melhorar em termos de voto no Estado de São Paulo. "Sou um democrata e o PMDB tem tradição democrática, além de representatividade. Tudo isso motivou minha escolha", revelou.

Histórico adversário petista, o ex-deputado minimizou possíveis questionamentos sobre ingressar num partido aliado ao governo federal. "Sou discípulo de Michel Temer. Expliquei a ele como são as relações do PT com o Renato, oriundo do PSDB, em Sorocaba. Tenho bom relacionamento com o Hamilton (Pereira), Iara (Bernardi) e o (Francisco) França", garante. Membro da oposição em Brasília nos últimos quatro anos, Amary também não vê incoerência na esfera federal. "Fui sempre crítico construtivo. Lutamos de forma incisiva contra a volta da cobrança da CPMF. Mas sempre foram críticas pontuais", tenta se defender. Ele comparou o início da atual gestão com a do ex-presidente Lula. "Em três meses, a Dilma me parece mais técnica que o Lula. Tem se portado mais como estadista do que ele. Estou gostando da posição dela", arrisca. 

Renato Amary será presidente do Diretório Municipal do PMDB e coordenará o partido em vinte cidades da região (vide box), sempre buscando encontrar bons nomes que possam melhorar o desempenho da legenda nas urnas. "Teremos candidatura própria em Sorocaba", destaca. Entre os ajustes com a direção do partido, Amary queria a garantia de ser pré-candidato à Prefeitura de Sorocaba, o que não encontrava mais no PSDB, conforme suas palavras. Questionado sobre possíveis mágoas, o político é enfático: "Infelizmente, para alguns, a política também se faz com traição. No começo, todos são amigos, e depois você vê quem realmente está do seu lado. Contudo não podemos nos chatear com esses procedimentos políticos. É preciso ser pragmático". 

A relação Amary-PSDB estremeceu-se com o crescimento político do prefeito Vitor Lippi. "Fomos prefeito por oito anos e saímos com 83% de aprovação, além de fazer o nosso sucessor. Entretanto, digo e repito: em seis anos, nunca recebi sequer uma ligação, um e-mail ou uma correspondência qualquer me procurando para obter informações de como administrar a cidade ou de continuidade de procedimentos que havia adotado", reclama. Se tem alguma conduta da qual não concorda no atual governo, Amary responde: "Não vou pontuar, mas discordo de muita coisa. É uma série de atitudes erradas", sintetiza.    

Sobre as diversas ações que correm na Justiça contra si, o ex-prefeito assegura estar tranquilo. “Recorri e saí vitorioso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que determinou o arquivamento de processo e definiu que não houve nenhum dano ao erário, dolo, nem má-fé. Esses processos só acontecem durante a corrida eleitoral e são sempre os mesmos artistas. Como a disputa para a Prefeitura está engatinhando, os mesmos personagens voltam a aparecer." 

Diretórios que serão comandados por Amary

Araçoiaba da Serra, Capela do Alto, Tatuí, Cesário Lange, Pereiras, Guareí, Alumínio, Capão Bonito, Laranjal Paulista, Itapetininga, Pilar do Sul, Salto de Pirapora, Piedade, Votorantim, Itu, Cerquilho, Porto Feliz, Boituva, Iperó e Tietê

Michel Temer antecipa visita à cidade para saudar Renato Amary

Filiação do novo membro do PMDB será amanhã

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), esteve ontem em Sorocaba para cumprimentar o político Renato Amary, que irá se filiar ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) amanhã. 

A vinda de Temer a Sorocaba estava prevista para esta segunda-feira, quando iria, pessoalmente, acompanhar a filiação do novo membro. Sua visita foi antecipada, pois amanhã a presidente Dilma Rousseff (PT) embarcará para a Portugal, às 20 horas, e o vice-presidente terá de assumir o cargo.

O peemedebista chegou de helicóptero ao aeroporto “Bertram Luiz Leupolz”, às 12h45, onde concedeu coletiva à imprensa. Temer anunciou que veio a Sorocaba para visitar Renato Amary em razão especial, já que não poderá comparecer ao evento em que o político assume a entrada para o PMDB. “Gostaria de registrar minha presença aqui. É uma satisfação saber que o Renato está ingressando no PMDB para reforçar o quadro do partido. Vim dar abraço no novo peemedebista, Renato Amary.”

Sobre a presidência do PMDB na região, Temer diz que aprovaria, mas que a decisão é do diretório municipal. “O PMDB precisa ter bom número de deputados no futuro e isto começa nas eleições de 2012. A idéia é que o PMDB tenha candidatos a prefeito ou, pelo menos, candidato a vice em todos os municípios”, ressalta.

Sobre a saída de Amary do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e a entrada para o PMDB, que apoia o PT, o vice-presidente da República alega estar feliz, já que com a chegada do político ao PMDB irá engrandecer o partido, além de prestar serviços à região. “A visão que eu tenho é do seu ingresso (do Renato Amary)”, finalizou. 

Após a entrevista, Temer e Amary foram tomar café em uma padaria no Parque Campolim, onde cumprimentaram e tiraram fotos com populares. Por volta das 14 horas, o vice-presidente retornou ao aeroporto e seguiu viagem para São Paulo, para viajar a Brasília nesta segunda-feira.

Problemas judiciais podem frear pretensões 

O saite Repolítica lista 33 processos na Justiça contra Renato Amary e os disponibiliza para consulta

O anseio de Renato Amary de voltar à Prefeitura de Sorocaba pode esbarrar em sentenças judiciais provenientes de diversas ações e processos que correm contra sua gestão no executivo municipal. 

De acordo com um levantamento do Ministério Público, pelo menos 19 ações de improbidade administrativa foram impetradas somente pelo órgão, baseadas em avaliações de documentos e contratos do tempo em que era prefeito. Em uma delas, na última semana, Amary foi condenado pelo juiz Alexandre Dartanhan de Mello Guerra, da Vara da Fazenda Pública, por favorecer as empreiteiras Pratic Service & Terceirizados e Obragem Engenharia e Construções Ltda., que foram contratadas sem licitação e de forma emergencial para serviços “tapa-buraco”. A acusação do MP apontava irregularidades como dispensa de licitação, prestação de serviços sem contratos, majoração de preços em até 100% sem aditamento e prorrogação com aditivo confeccionado após os serviços. O juiz, no texto da sentença, declarou que o caso configura prática de ato ilegal, de forma deliberada, fulminando princípio básico da probidade administrativa. De acordo com a decisão, Renato Amary deve perder os direitos políticos por oito anos, ser proibido de contratar com o poder público ou receber incentivos fiscais por cinco anos e ressarcir os cofres públicos com valor aproximado de R$ 10 milhões. O julgamento está em primeira instância.

Além dos processos movidos pelo MP, há também aqueles de iniciativa popular. O ex-vereador Gabriel Bitencourt declarou que, quando estava na Câmara, tentou investigar ilegalidades, mas não conseguia, pois barrava na articulação política da Casa, já que o ex-prefeito tinha apoio da maioria dos parlamentares. Por essa razão, diz Bitencourt, recorreu à Justiça para mover as ações. É o caso de outra condenação de Amary, no Tribunal de Justiça de São Paulo, por ter contratado, de acordo com a sentença, de forma irregular serviços de cobrança de dívida ativa do Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort) em 2003. A princípio, o julgamento definiu que o ex-prefeito deve perder os direitos políticos por cinco anos, ser proibido de contratar com o poder público também por cinco anos e devolver aos cofres públicos o montante relativo à contratação da Idort. O político recorreu, mas foi anulada apenas a devolução do dinheiro.

Outra ação de Gabriel Bitencourt diz respeito a um empréstimo feito pelo Saae à Prefeitura, sem aval da Câmara Municipal, no valor de R$ 18,3 milhões. Renato Amary e o então presidente da autarquia, Pedro Dal Pian Flores, foram condenados a pagar mais de R$ 46 milhões à Justiça, valor referente aos juros da transação. A decisão foi do juiz da 1ª Vara Civil da Comarca de Sorocaba, Marcos José Corrêa, e não cabe mais recurso.

O saite Repolítica (www.repolitica.com.br) lista 33 processos na Justiça contra Renato Amary e os disponibiliza para consulta. Outra ferramenta de internet que divulga a atuação dos políticos é o portal Transparência Brasil (www.excelencias.org.br), entretanto, como apenas mostra informações sobre deputados eleitos, os dados de Renato Amary não constam mais nos arquivos on line.

PMDB já não tem a força de antigamente em Sorocaba   

Em pleno regime militar ditatorial, o Brasil tinha apenas dois partidos: a Arena, apoiando a ditadura, e o Movimento Democrático Brasileiro - MDB, na oposição. José Theodoro Mendes era ainda estudante de Direito e foi convidado para uma reunião da família Franciulli em Sorocaba, onde também estaria Pascoal Ranieri Mazzilli, ex-presidente provisório da República por duas ocasiões, a quem foi apresentado. Mazzilli lhe disse ser interessante sua participação na política e o convidou a entrar para o MDB. O político sorocabano seria um dos primeiros a ingressar no partido e praticamente o instituiu na cidade.    

Em 1968, Theodoro se candidatou a vereador. Na época, a Câmara Municipal tinha 17 parlamentares voluntários. A Arena elegeu 11 membros e o MDB colocou seis vereadores. Se tivesse conquistado mais 40 votos, seria o sétimo do MDB, mas Theodoro ficou como 1º suplente. Faltando seis meses para o término do mandato, o vereador Ademar Figueiredo renunciou e Theodoro assumiu. “Me movimentei e fiz discursos que geraram repercussão. Certa vez houve uma discussão entre vereadores da Arena e, quando me pronunciei, disse a frase ‘Brigam as comadres, descobrem-se as verdades’. Foi manchete do DIÁRIO DE SOROCABA do dia seguinte”, lembra. Sua atuação na Câmara gerou notoriedade e nas eleições de 72 foi o mais votado do MDB. Mas o partido teve uma queda, já que elegeu apenas quatro vereadores (além de Theodoro, Marino Tota, Gervásio Porphirio do Nascimento e João dos Santos Pereira), enquanto a Arena aumentou sua representatividade para 13. Um desacordo entre eles, alçou Theodoro Mendes ao posto de 1º secretário da mesa diretora da Casa. "Ia com meu carro para os bairros, colocava combustível e ainda pagava uma secretária para me ajudar. Isso numa época em que vereador não recebia nada pelo trabalho, além do prestígio", recorda.     

No ano de 1974, Theodoro se elegeu deputado federal. "Nunca havia andado de avião, nem ido a Brasília, mas tomei posse e fui trabalhando. Se aproximavam as eleições para prefeito, em 1976, e Franco Montoro, Ulisses Guimarães e Tancredo Neves me fecharam numa pequena sala e disseram que eu teria de ser candidato em Sorocaba", conta. Naquele ano, cada um dos partidos tinha direito a três sublegendas, para que a eleição não se limitasse a dois candidatos. Pela Arena, se candidataram Laelso Rodrigues e José Caetano Graziosi. O MDB lançou o médico Agrário Antunes e Theodoro Mendes, que escolheu para seu vice, o jornalista Cláudio Grosso. "Fiz questão de bancar o Cláudio nesse cargo, por confiar nele", ressalta. Venceu o pleito com 53% dos votos, mais que a soma dos outros três candidatos, e assumiu o Paço. 

A gestão de Theodoro foi responsável por realizações como as avenidas Afonso Vergueiro, Juscelino Kubitschek, várias pré-escolas, o estádio municipal "Walter Ribeiro", o prédio do Palácio dos Tropeiros e toda a pavimentação asfáltica da zona industrial. Com obras arrojadas como as do Paço e do Teatro Municipal, pode-se dizer que a administração Theodoro Mendes inaugurou a era da modernidade de Sorocaba e de seu futuro promissor. A representação do MDB na Câmara de Sorocaba também superou a da Arena: 10 contra 7. Depois de Campinas, que já havia eleito Orestes Quércia como prefeito, Sorocaba esteve entre as primeiras do Estado a ser comandada pelo partido contrário à ditadura. 

Theodoro ainda foi deputado federal em outras duas oportunidades, já pelo sucessor do MDB, o PMDB. Deixou na Prefeitura seu vice, Cláudio Grosso, e em seguida elegeu outro então colega de partido, Flávio Chaves (hoje no PSDB). De volta a Brasília, Theodoro foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal e participou da Assembléia Constituinte, com 117 propostas incorporadas ao novo texto da Constituição, em 1988. “Concentrei meus trabalhos na capital do País, e outros políticos foram ganhando espaço em Sorocaba. Talvez por isso tenha perdido as eleições de 89”, admite. A cidade ainda teve seguidamente outros dois prefeitos do PMDB: Antônio Carlos Pannunzzio e Paulo Mendes - atualmente, ambos no PSDB. 

Sobre a atual fase do PMDB na cidade, Theodoro é crítico. "O partido se contentou em ser um afluente do rio. Antes, éramos o próprio rio. O PMDB abandonou a busca pelo poder para se contentar em estar ao lado de quem está no poder." Ele também não concorda com o atual alinhamento da legenda ao governo do PT. "Falei com o Michel (Temer) que não era bom se aproximar do PT. A melhor opção era que nos tornássemos uma terceira alternativa política", analisa.   

Quando o assunto é o ingresso de Amary no PMDB, Theodoro cita uma frase de Getúlio Vargas: "Na política, o adversário nunca é tão adversário que não possa se tornar aliado depois. E o aliado não é tão aliado que não possa vir a ser seu adversário".     

PSDB segue confiante para as eleições do ano que vem  

O antigo partido de Renato Amary, PSDB, tem a hegemonia de comandar a Prefeitura de Sorocaba desde 1996, quando o próprio Amary foi eleito. Oriundos de um grupo de dissidentes do PMDB (para onde o ex-prefeito vai agora), os tucanos iniciaram sua trajetória em 1988, quando boa parte do partido se mostrou insatisfeito com a política do então presidente José Sarney. Liderados por Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro e José Serra, eles fundaram o partido e com seis anos já conquistavam a presidência da República e os governos de Estados importantes, como São Paulo.     

Foi em 1992 que Renato Amary iniciou sua trajetória política como candidato a prefeito, sem sucesso, perdendo para Paulo Francisco Mendes. Mais dois anos, foi eleito deputado estadual e em 1996 chegou à Prefeitura. Antônio Carlos Pannunzio, um dos fundadores do PSDB em Sorocaba, diz que o atual momento dos tucanos da cidade é muito bom, logo após a convenção partidária que uniu de novo setores do partido que já não se conversavam. Com relação à ausência de Amary nos encontros, Pannunzio explicou: "Ele participou da primeira reunião, em fevereiro, e entendia que sua candidatura ao cargo majoritário era indiscutível. Nós oferecemos as mesmas possibilidades a todos os membros, mas ele queria ser o candidato desde já. Como não foi atendido, saiu sem indicar ninguém. Tem o direito de querer ser candidato, mas não pode impor. Se realmente sair do PSDB, desejo boa sorte onde quer que vá. Se ficar, terá de se adequar dentro das regras democráticas do partido".    

Pannunzio comentou que os tucanos pensam em renovação. "Na última eleição os políticos tradicionais perderam espaço para novas lideranças. O partido é perene, mas os políticos oscilam. O PSDB não se apoia em dogmas imutáveis e precisa ir se alternando. Queremos propostas que estejam em sintonia ao anseio da população", detalha. Embora esteja perdendo uma força política dos tucanos, Pannunzio está confiante. "Para as eleições de 2012 prevemos um cenário difícil, porém positivo para o PSDB. Estamos no quarto mandato na Prefeitura, o governo é bem avaliado, além de termos registrado boas votações com Serra, Alckmin e Aloysio Nunes nas últimas eleições em Sorocaba", aponta.   

Quando prefeito, Pannunzio também era do PMDB. Outros políticos da cidade também fizeram o caminho inverso ao que Amary vai tomar, como é o caso dos ex-prefeitos Paulo Mendes e Flávio Chaves. "Tenho a satisfação em lembrar que assinei as fichas de filiação dos dois", assume Pannunzio, que hoje espera uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a quem pertencem as vagas na Câmara Federal - partidos ou coligações -, para assumir como deputado federal. 

Ele também comentou a recente saída de outro nome forte do PSDB local, o vereador Hélio Godoy (PTB). "O caso do Hélio é parecido, pois achava que deveria ser candidato a deputado estadual nas eleições do ano passado. Já tínhamos a Maria Lúcia Amary e o partido decidiu pela candidatura de um nome novo, que foi do vice-prefeito, José Ailton Ribeiro. Ele não gostou e saiu para procurar seu espaço em outro lugar. Se encontrar, muito bem", explicou. Nos bastidores, Hélio Godoy também já estaria se movimentando para ser candidato à Prefeitura em 2012.     

Com um cenário se desenhando no sentido de haver vários postulantes ao cargo de prefeito de Sorocaba no ano que vem, Pannunzio comenta a possibilidade de os discursos serem muito parecidos. "Como pode acontecer confronto entre ex-aliados, se os candidatos não tiverem a percepção do momento e da visão do que a população espera, o processo pode ficar empobrecido idealisticamente", prevê. Sobre as possibilidades de candidaturas, ele garante que o PSDB terá candidato próprio. "Partidos grandes devem apresentar necessariamente suas candidaturas aos cargos majoritários." E ainda admite: "O PMDB se reforça caso se confirme que a liderança de Amary siga para lá".     

Numa eventual vitória de Renato Amary para a Prefeitura, Pannunzio não titubeia: "O PSDB seria oposição". A posição dele se baseia na aliança que o PMDB tem em nível nacional. "O PSDB é oposição ao PT, historicamente. Se filiar a um partido que dá sustentação ao PT, naturalmente seremos contrários", esclarece. 

Para Pannunzio, políticos mudando de partidos é algo natural. "Nossa democracia é nova. Temos pouco tempo de vigência do estado democrático de direito. Portanto é comum aparecerem os conflitos ideológicos de políticos com seus partidos." Ele fala que a reforma política deve ajudar nisso. "Não dá para inventar ideologia. Tem os que defendem Estado onipotente e criticam a iniciativa privada. E há os que julgam que o Estado tem papel importantíssimo como executor e que podem atrair a colaboração da iniciativa privada. O ideal seria que tivéssemos por volta de seis partidos, e isso conceberia as ideias dos atuais 30", garante.     

Como disputar as próximas eleições

Em 2012, as eleições municipais irão eleger cerca de 5.564 prefeitos em todo o País. Quem quiser se candidatar para vereador ou prefeito em 2012 precisa seguir algumas exigências da Justiça Eleitoral. 

Para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal, além da filiação partidária com um ano de antecedência, é preciso ser brasileiro, maior de 18 anos na data da candidatura, estar em pleno exercício de seus direitos políticos (não condenado pela justiça criminalmente) e ser eleitor.

Se o postulante almejar ser prefeito, precisa estar num partido e possuir domicílio eleitoral no município um ano antes das eleições, ter 21 anos na data da candidatura, estar em pleno exercício de seus direitos políticos (não condenado pela justiça criminalmente), ser eleitor, e ainda ter sido escolhido em convenção partidária para disputar o cargo.

No ano que vem, a votação ocorrerá em 7 de outubro, portanto é necessário ingressar em um partido até 6 de outubro de 2011.
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar