Segunda-Feira, 6 de Julho de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Medidas do BC vão aumentar juros para consumidor no Natal

Publicada em 03/12/2010 às 22:01
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Medidas foram anunciadas ontem pelo presidente do Banco Central Henrique Meirelles (Foto: Antonio Cruz/Abr)
As novas medidas de restrição de crédito baixadas pelo Banco Central nesta sexta-feira vão pesar a curto prazo no bolso do consumidor, afetando as compras de Natal. Esta é a avaliação de economistas. A expectativa é que os bancos já revejam suas políticas de crédito a partir da segunda-feira, tornando os empréstimos mais caros. Outro consenso entre especialistas é que a taxa básica de juro (Selic) não deve subir na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para os dias 7 e 8. 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou as medidas de necessárias e acertadas e admitiu que elas vão tornar mais caro o crédito . Já a Fecomércio-SP sustenta que as medidas não vão afetar o Natal, mas comprometem as vendas a prazo a partir de janeiro 

Para o vice-presidente da Anefac Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a medida mais significativa para o consumidor é a alta de 100% para 150% do Fator de Ponderação de Risco na maioria das operações de crédito a pessoas físicas acima de 24 meses. A decisão afetará principalmente o financiamento de veículos, que terão juros elevados e prazos reduzidos. “A elevação do compulsório, em si, já tira dinheiro de circulação. Os bancos vão encarecer os custos de empréstimo a curto prazo, não resta dúvida”, afirmou Oliveira. 

Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Market, a medida pode ter impactos sobre as vendas do Natal. Ele lembra que o primeiro recolhimento vai acontecer no próximo dia 13 e deve ter consequências imediatas sobre os juros cobrados por bancos para financiar o consumo.  “ A expectativa é que Natal seja muito forte, o que deve pressionar a inflação pelo lado da demanda. Um aperto compulsório agora evita o superaquecimento e pode ter algum impacto nas vendas do Natal”, explica Rostagno. 

Embora considere as novas restrições do BC uma "medida acertada" para conter a inflação, o economista da WinTrade, José Góes, também acredita em uma alta dos juros para o consumidor final: “Encarece os empréstimos, pois os bancos terão menos dinheiro disponível. Algumas pessoas vão optar por não comprar a crédito. Acredito que este é o começo de um aperto monetário. Está ficando claro que o novo governo está incomodado em aumentar a taxa básica de juro e lançará mão de outras normatizações”. 

A economista-chefe da ICAP Brasil, Inês Filipa, concorda que o maior impacto será sentido no setor automobilístico e ressalta o fator surpresa do pacote do BC. “Foi inesperado. Este ajuste no compulsório teria que acontecer, mas o mercado não estava atento a isso neste momento”, disse. “No início de novembro já vínhamos observando algumas empresas varejistas reduzindo tempo de financiamento, mas isto não ocorreu no setor de veículos”. 

O aperto do compulsório levou os agentes a recuar em suas apostas de um aumento dos juros básicos da economia na reunião de dezembro do Copom. Na BM&F Bovespa, o mercado ainda precifica, no entanto, uma alta de meio ponto percentual na reunião de janeiro, março e abril do próximo ano, o que elevaria a Selic para 12,25% ao ano. “Com essas medidas o mercado descarta a alta da Selic em dezembro”,  aposta Elson Teles, economista-chefe da Máxima Asset Management. 

O pacote do BC trouxe ainda impactos imediatos nos contratos de juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Os contratos com vencimento em janeiro de 2011, mais líquidos do pregão e que vinham em trajetória de alta nos últimos dias, recuam para 10,697%, queda de 0,14 ponto percentual. Os contratos de janeiro 2012 cedem para 12,1%, também em queda de 0,14 ponto percentual.
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar